Quando eu sucumbir e chorar, queria ter certeza de que tenho um sorriso sobressalente guardado para me surpreender.
Quando eu necessitar admitir que novamente ultrapassei meus frágeis limites, queria poder fazer de conta que não era tão importante o que eu ia acrescentar a minha experiência.
Quando eu não puder entender meu sofrimento, precisarei encontrar uma criança para me recordar que um dia fui inocente e livre.
Quando eu precisar me encolher de tanto povoar meus pensamentos de saudade, farei de uma noite de sono meu refúgio.
Quando eu não conseguir realizar o mísero desejo de subtrair o medo de viver de minha existência, ainda poderei pensar que conheço meus antigos caminhos e, com algum esforço, recordar as pegadas.
Mas eu não quero ter medo. E, de repente, sou só coragem.
segunda-feira, 13 de dezembro de 2010
quinta-feira, 2 de setembro de 2010
Ontem

Sento em frente à janela de minha alma.
E me pergunto em que fase estou.
Aliás, onde estou?
O que aconteceu com meu pensamento?
Meu corpo de contorce para dentro.
Meus braços e pernas diminuíram.
Tudo encolheu ao meu redor e eu me limitei.
Só posso falar desse fragmento de tempo
que eu sinto tão regular e sereno.
O mundo cabe nessa cama em que deito.
Desejos cerraram as portas.
Eu só quero terminar esse pensamento.
Moro nessa fase de minha vida.
E, resignada, aceito meu viver morno.
Ainda assim, tudo parece bem.
De 27/10/08 *Este texto pode ser lido do fim para o começo, gravitando em torno do ponto de luz, numa noite muito escura.
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
Silêncio e nada
Onde são ditas as coisas sem pudor?
Onde ficam as frases não ditas?
Onde se refugia a tristeza quando não podemos dizer?
As coisas têm múltiplos sentidos. Deveríamos, como recomenda Saramago, dar-lhes a volta para que possamos dirigir-lhes um olhar mais justo.
Quem muito se põe a pensar, a refletir tem o que dizer. Assim, os outros, que não o fazem, podem ficar tão extasiados e achar que isso é pura impertinência.
Onde ficam as frases não ditas?
Onde se refugia a tristeza quando não podemos dizer?
As coisas têm múltiplos sentidos. Deveríamos, como recomenda Saramago, dar-lhes a volta para que possamos dirigir-lhes um olhar mais justo.
Quem muito se põe a pensar, a refletir tem o que dizer. Assim, os outros, que não o fazem, podem ficar tão extasiados e achar que isso é pura impertinência.
Livro e companhia
A mulher não se utilizou das mesmas palavras mas quis dizer:
- Você está gastando dinheiro com esses livros, que encomenda comigo, porque está fazendo um curso, não é? Não me diga que você consegue pagar cinquenta reais por um livro só por prazer? Afinal, diga-me, para quê?
Cada vez mais são os livros a minha companhia predileta. Nunca sonhei que me traíam, que me faziam sentir desilusão!
Os livros deveriam se ressentir que eu os comparo com os seres humanos.
- Você está gastando dinheiro com esses livros, que encomenda comigo, porque está fazendo um curso, não é? Não me diga que você consegue pagar cinquenta reais por um livro só por prazer? Afinal, diga-me, para quê?
Cada vez mais são os livros a minha companhia predileta. Nunca sonhei que me traíam, que me faziam sentir desilusão!
Os livros deveriam se ressentir que eu os comparo com os seres humanos.
domingo, 8 de agosto de 2010
Andersein
Muitas de nossas expectativas na vida adulta, quero crer, são herdadas da época em que fomos crianças. Uma delas é a capacidade da alteridade, quando o devido esforço é empregado.
Lembro que na minha infância, quando os adultos queriam corrigir a conduta de uma criança, diziam comumente (traduzo do alemão): -Seja diferente do que vc está sendo. Era um chamado para alterar um comportamento indesejado. Invocar a alteridade, o andersein.
Ora, "ser outro" ajudaria a visualizar a versão de um fato e modificar sua perspectiva.
Talvez fosse necessário me sinalizar o mesmo.
Meu andersein está cego. E eu nem falei do conceito na ciência psiquiátrica.
Outra hora...
Lembro que na minha infância, quando os adultos queriam corrigir a conduta de uma criança, diziam comumente (traduzo do alemão): -Seja diferente do que vc está sendo. Era um chamado para alterar um comportamento indesejado. Invocar a alteridade, o andersein.
Ora, "ser outro" ajudaria a visualizar a versão de um fato e modificar sua perspectiva.
Talvez fosse necessário me sinalizar o mesmo.
Meu andersein está cego. E eu nem falei do conceito na ciência psiquiátrica.
Outra hora...
sábado, 31 de julho de 2010
"Lembro, logo existo" (poeta português)
Lamento profundamente que não tenho memória, nem capacidade de relato. Isto é, estou desprovida para escrever. Mas e se escrever é o que me distrai do tédio?
Como vou me apaixonar e depois acreditar que sei me contar?
Não preciso fazer tanto esforço procurando coisas interessantes a fazer. Isso até me entedia também. Preciso acreditar que tudo é minha vida. E ela passará em branco se eu não me convencer de que vale registrá-la. Mas como escrever sem talento?
Como escrever sem palavras? Como dizer do belo e do terrível quando tudo parece a mesma coisa?
Como vou me apaixonar e depois acreditar que sei me contar?
Não preciso fazer tanto esforço procurando coisas interessantes a fazer. Isso até me entedia também. Preciso acreditar que tudo é minha vida. E ela passará em branco se eu não me convencer de que vale registrá-la. Mas como escrever sem talento?
Como escrever sem palavras? Como dizer do belo e do terrível quando tudo parece a mesma coisa?
sexta-feira, 30 de julho de 2010
"Vivo porque espero"
O caldeirão do desejo de dizer transborda... nem sempre tenho as palavras.
Começo, então, com o título, um fragmento da poesia de um poeta português: "Vivo porque espero".
Quem pode dizer esse verso? Todos os seres humanos, indistintamente, com alguma consciência sobre a própria vida.
Meu objetivo é me transportar com o verso ao texto de Arthur Schopenhauer "O vazio da existência" para compreender essa miserável condição em que todos nos encontramos mas que poucos admitem.
Assim, como quer Schopenhauer, todos vivemos sob o domínio da idealidade do tempo e do espaço, chave do sistema metafísico, que proporciona uma ordem das coisas distinta, para além dos desígnios da natureza. É para compensar a grande desilusão, da qual vamos a cada dia tomando mais contato, ainda que uns admitam e outros se ofendam quando são convidados a encarar essa verdade.
O presente, por sua efemeridade e inconstância, não merece um esforço físico sério. Schopenhauer, só para "os fortes", afirma: "A felicidade é inconcebível".
É estranho que um dia olhamos para trás e nos damos conta de que aquilo que deixamos passar despercebido e sem proveito era precisamente a nossa vida e que fomos enganados por nossa esperança.(Nietzsche dizia que o último elemento que saiu da caixa de pandora foi a esperança. Pena, devia ter sido a primeira. Assim, não esperaríamos tanta coisa em vão, que nunca vai nos acontecer e, consequentemente, abreviaríamos as desilusões).
O motivo porque algo tem de estar sempre acontecendo em nossa vida é o tédio. O tédio é sinal de ausência de surpresa e anseios.
O estado tedioso indica de que o que temos não nos seduz mais, já está conquistado. E o que conquistamos, torna-se um fardo. Diz o filósofo: "... o tédio é meramente o sentimento de vazio da existência".
Por isso, a vida humana não tem um fim em si mesma. Quando a busca desacelera, nada nos parece satisfazer.
"O inato e inextirpável anseio pelo que é incomum demonstra quão gratos somos pela interrupção do tedioso curso natural das coisas".
Por vezes experimentamos um breve intervalo, quando a existência está livre de sofrimento. Mas esse intervalo logo é sucedido pelo tédio e por sua vez, rapidamente sucedido por novos anseios.
Ao fazer essa reflexão, procuro pensar que não vou me esquecer, quando chegar o momento de assim buscar o que foi minha vida, do momento em que admiti que meu tédio, enfadonho e sufocante, foi necessário para que eu escrevesse isso aqui.
Começo, então, com o título, um fragmento da poesia de um poeta português: "Vivo porque espero".
Quem pode dizer esse verso? Todos os seres humanos, indistintamente, com alguma consciência sobre a própria vida.
Meu objetivo é me transportar com o verso ao texto de Arthur Schopenhauer "O vazio da existência" para compreender essa miserável condição em que todos nos encontramos mas que poucos admitem.
Assim, como quer Schopenhauer, todos vivemos sob o domínio da idealidade do tempo e do espaço, chave do sistema metafísico, que proporciona uma ordem das coisas distinta, para além dos desígnios da natureza. É para compensar a grande desilusão, da qual vamos a cada dia tomando mais contato, ainda que uns admitam e outros se ofendam quando são convidados a encarar essa verdade.
O presente, por sua efemeridade e inconstância, não merece um esforço físico sério. Schopenhauer, só para "os fortes", afirma: "A felicidade é inconcebível".
É estranho que um dia olhamos para trás e nos damos conta de que aquilo que deixamos passar despercebido e sem proveito era precisamente a nossa vida e que fomos enganados por nossa esperança.(Nietzsche dizia que o último elemento que saiu da caixa de pandora foi a esperança. Pena, devia ter sido a primeira. Assim, não esperaríamos tanta coisa em vão, que nunca vai nos acontecer e, consequentemente, abreviaríamos as desilusões).
O motivo porque algo tem de estar sempre acontecendo em nossa vida é o tédio. O tédio é sinal de ausência de surpresa e anseios.
O estado tedioso indica de que o que temos não nos seduz mais, já está conquistado. E o que conquistamos, torna-se um fardo. Diz o filósofo: "... o tédio é meramente o sentimento de vazio da existência".
Por isso, a vida humana não tem um fim em si mesma. Quando a busca desacelera, nada nos parece satisfazer.
"O inato e inextirpável anseio pelo que é incomum demonstra quão gratos somos pela interrupção do tedioso curso natural das coisas".
Por vezes experimentamos um breve intervalo, quando a existência está livre de sofrimento. Mas esse intervalo logo é sucedido pelo tédio e por sua vez, rapidamente sucedido por novos anseios.
Ao fazer essa reflexão, procuro pensar que não vou me esquecer, quando chegar o momento de assim buscar o que foi minha vida, do momento em que admiti que meu tédio, enfadonho e sufocante, foi necessário para que eu escrevesse isso aqui.
sábado, 24 de julho de 2010
Adiar...
Se descobríssemos forma, maneira de como adiar a morte, parariamos de:
- escrever livros;
- apaixonarmo-nos;
- casar;
- gerar filhos;
- fazer financiamentos a perder de vista;
- aproveitar tudo dos outros em benefício próprio;
- trabalhar para juntar tanta inutilidade;
- contar tantas mentiras;
- distrairmo-nos...
- escrever livros;
- apaixonarmo-nos;
- casar;
- gerar filhos;
- fazer financiamentos a perder de vista;
- aproveitar tudo dos outros em benefício próprio;
- trabalhar para juntar tanta inutilidade;
- contar tantas mentiras;
- distrairmo-nos...
domingo, 27 de junho de 2010
O carro da minha vida
Não tenho exatamente paixão por carros. Vejo-os como uma comodidade a qual eu aprendi depender. Não presto atenção à marca e nem a quantos quilômetros ele pode disparar em oito segundos. Tenho apenas uma exigência para com carros: não me deixem na rua!
Nesse item tenho sido atendida. Porém, ando me sentindo confusa sempre que guio meu carro. Meu carro e minha vida. O carro da minha vida. Como guiar um carro pode ser similar a guiar a própria vida?
Quando estou no trânsito, há sempre o medo de fazer algo que cause dano ao meu veículo e ao veículo alheio. Por vezes cometo atos impensáveis ao bom senso. E depois fico me culpando e tendo aquela sensação de que por um fio não me envolvi em um acidente por pura imprudência.
Quando estamos nos movimentando nas ruas, em nossos carros, sabemos que uma manobra indevida vai ter resultados desastrosos e imediatos. Mas em nosso dia-a-dia as manobras equivocadas nem sempre são sentidas com imediata consequência.
Passei a vida fazendo trapalhadas nos carros que dirigi mas nunca me pareceu tão óbvio que era também assim que eu vivia. Essa sensação é constante.
De qualquer modo, tento dirigir melhor meus atos ainda que ao dirigir um carro, sempre de novo me invade a sensação de incapacidade e de perigo iminente.
Nesse item tenho sido atendida. Porém, ando me sentindo confusa sempre que guio meu carro. Meu carro e minha vida. O carro da minha vida. Como guiar um carro pode ser similar a guiar a própria vida?
Quando estou no trânsito, há sempre o medo de fazer algo que cause dano ao meu veículo e ao veículo alheio. Por vezes cometo atos impensáveis ao bom senso. E depois fico me culpando e tendo aquela sensação de que por um fio não me envolvi em um acidente por pura imprudência.
Quando estamos nos movimentando nas ruas, em nossos carros, sabemos que uma manobra indevida vai ter resultados desastrosos e imediatos. Mas em nosso dia-a-dia as manobras equivocadas nem sempre são sentidas com imediata consequência.
Passei a vida fazendo trapalhadas nos carros que dirigi mas nunca me pareceu tão óbvio que era também assim que eu vivia. Essa sensação é constante.
De qualquer modo, tento dirigir melhor meus atos ainda que ao dirigir um carro, sempre de novo me invade a sensação de incapacidade e de perigo iminente.
terça-feira, 1 de junho de 2010
A legitimidade dos problemas humanos
Para o outro, eu sou um problema ou que desperta interesse ou que causa atitude de desdém.
Todos, uma vez ou outra, fizemos papel de tolos.
E parecemos muito tolos à medida que vamos nos expondo.
O encantamento dá lugar ao complexo processo de conhecer.
Ninguém pode apenas ser bonito ou ser totalmente desprezível, salvo poucas exceções.
Ainda que nos sintamos perdidos
Ainda que nos experimentemos desamparados
Ainda que pareçamos inúteis
Só pode haver uma explicação: esperava que o outro me aceitasse com todas as minhas mazelas. E que conseguisse fazer com elas o melhor.
Observemos ... nossos problemas não carecem de julgamento. São genuínos.
Todos, uma vez ou outra, fizemos papel de tolos.
E parecemos muito tolos à medida que vamos nos expondo.
O encantamento dá lugar ao complexo processo de conhecer.
Ninguém pode apenas ser bonito ou ser totalmente desprezível, salvo poucas exceções.
Ainda que nos sintamos perdidos
Ainda que nos experimentemos desamparados
Ainda que pareçamos inúteis
Só pode haver uma explicação: esperava que o outro me aceitasse com todas as minhas mazelas. E que conseguisse fazer com elas o melhor.
Observemos ... nossos problemas não carecem de julgamento. São genuínos.
segunda-feira, 31 de maio de 2010
Vidas incompatíveis
Não sei escrever sobre isso
Porque ainda está obscuro
Não me aproximo do entendimento
Saio pela tangente pois é mais cômodo
Não consigo dizer o que eu quero
É muito difícil saber da verdade
Preferia estar enganada ainda
Mas agora já é tarde
A vida vai cíclica e tudo é sempre igual
O que me consola
É que a noite será fresca
Ainda que isso também seja cíclico
Não me importo em saber
Que ano passado também foi assim
O que me incomoda é...
Seres humanos são assim repetitivos
E eu queria me surpreender um pouco.
Porque ainda está obscuro
Não me aproximo do entendimento
Saio pela tangente pois é mais cômodo
Não consigo dizer o que eu quero
É muito difícil saber da verdade
Preferia estar enganada ainda
Mas agora já é tarde
A vida vai cíclica e tudo é sempre igual
O que me consola
É que a noite será fresca
Ainda que isso também seja cíclico
Não me importo em saber
Que ano passado também foi assim
O que me incomoda é...
Seres humanos são assim repetitivos
E eu queria me surpreender um pouco.
sábado, 22 de maio de 2010
Sábado, dia do silêncio
Em algumas conversas, como espectadora, bem que concordo com Nietzsche, que afirmava ser o mundo um lugar bom de se viver, se as pessoas pudessem ficar mais em silêncio.
Em circunstâncias diversas, nem sempre o silêncio diz o que gostaríamos de ouvir. Porém, se refletimos sobre o que silencia as pessoas, logo deduziremos que Nietzsche sabia. O silêncio no lugar certo fala altíssimo.
Não queria que meu dia de falar fosse silenciado. Aliás, sempre precisamos falar para dizer que calar não era bem do que necessitamos.
Com o tempo aprendemos a ouvir o vento e os suspiros. É assim que se passa o sábado, dia do silêncio de dentro.
Em circunstâncias diversas, nem sempre o silêncio diz o que gostaríamos de ouvir. Porém, se refletimos sobre o que silencia as pessoas, logo deduziremos que Nietzsche sabia. O silêncio no lugar certo fala altíssimo.
Não queria que meu dia de falar fosse silenciado. Aliás, sempre precisamos falar para dizer que calar não era bem do que necessitamos.
Com o tempo aprendemos a ouvir o vento e os suspiros. É assim que se passa o sábado, dia do silêncio de dentro.
quarta-feira, 19 de maio de 2010
Sobre o prazer de estar consigo mesmo
"Minha solidão não tem nada a ver com a presença ou ausência de pessoas. Detesto quem me rouba a solidão, sem em troca me oferecer verdadeiramente companhia" (Friedrich Nietzsche).
Leva-se um bocado de anos para chegar a gostar de sua própria companhia. Há pessoas que nunca o conseguirão. Tenho uma certa inveja e um pouco de pena delas. Inveja, porque continuam alimentando a ilusão de que em algum momento chegará alguém que ficará com elas para sempre. Pena, porque perdem tanto tempo antes de constatar que é possível sorrir quando se está consigo mesmo.
Talvez o mais difícil mesmo seja viver amenamente a vida. Nem foguetes e champanhe nem dor e lágrimas. Apenas menos emoções dilacerantes, porque, convenhamos, nunca estaremos tão seguros e felizes do que quando nos contentamos com nossa própria companhia.
O pensamento do filósofo aguça, ao meu ver, apenas uma versão: aquele que quiser me fazer companhia, que o saiba sê-lo. Caso contrário, fique onde está agora.
Leva-se um bocado de anos para chegar a gostar de sua própria companhia. Há pessoas que nunca o conseguirão. Tenho uma certa inveja e um pouco de pena delas. Inveja, porque continuam alimentando a ilusão de que em algum momento chegará alguém que ficará com elas para sempre. Pena, porque perdem tanto tempo antes de constatar que é possível sorrir quando se está consigo mesmo.
Talvez o mais difícil mesmo seja viver amenamente a vida. Nem foguetes e champanhe nem dor e lágrimas. Apenas menos emoções dilacerantes, porque, convenhamos, nunca estaremos tão seguros e felizes do que quando nos contentamos com nossa própria companhia.
O pensamento do filósofo aguça, ao meu ver, apenas uma versão: aquele que quiser me fazer companhia, que o saiba sê-lo. Caso contrário, fique onde está agora.
terça-feira, 18 de maio de 2010
Sherazade sem histórias
"Nada merece nosso esforço, todas as coisas boas são apenas vaidades, o mundo é uma bancarrota e a vida um mau negócio, que não paga o investimento. Para ser feliz, é preciso ser como as crianças: ignorante". Autoria atribuída a Arthur Schopenhauer, bem poderia sair de minha boca, ainda que na esquina houvesse uma dúzia de pessoas indignadas com a ideia.
Qual o problema em ver a vida dessa forma? Eis a grande pergunta. Por que resistir à dor da verdade? Mas não há alguma pretensão de convencimento. Todos os que discordarem podem continuar lendo o texto de Charles Chaplin, que faz exatamente o contrário. Exalta o poder de escolha entre um bom e um mau dia. Não consigo ver vantagem alguma em escolher ser otimista. Tanto o pessimista quanto o otimista se desgastam por construir argumentos. Por isso, o melhor mesmo é de nada saber. O problema é que crescemos e aí vamos ter de escolher se ficamos com Chaplin ou Schopenhauer.
Qual o problema em ver a vida dessa forma? Eis a grande pergunta. Por que resistir à dor da verdade? Mas não há alguma pretensão de convencimento. Todos os que discordarem podem continuar lendo o texto de Charles Chaplin, que faz exatamente o contrário. Exalta o poder de escolha entre um bom e um mau dia. Não consigo ver vantagem alguma em escolher ser otimista. Tanto o pessimista quanto o otimista se desgastam por construir argumentos. Por isso, o melhor mesmo é de nada saber. O problema é que crescemos e aí vamos ter de escolher se ficamos com Chaplin ou Schopenhauer.
domingo, 16 de maio de 2010
Emoções guardadas
Um pouco de alimento para o corpo
e um tanto de liberdade de não estar.
Cheguei onde a vida me levou em escolhas.
Ora aqui, ora ali, erros e acertos.
Estar a sós, estar com quem se quer.
Às vezes os outros estão dentro de nós
E nada mais surpreende
Somente aquilo que você dá a si mesmo.
Certos lugares sempre me entediam
E perguntas sobre o porquê sempre surgem
Assim o dia não passa sem questionamentos
Assim a vida se constroi gota a gota.
De repente... é o meio do dia
Viveu-se e nem se percebeu
Ainda bem que os eventos estão lá
E você é parte deles, amém!
Enfim, só é possível ser fiel a si mesmo
Quando o presente pressiona, podemos fugir
Escolher ser ou não ser
Ajeitando uns bocados para sobrar alguma dignidade
Diminuir exigências, necessidades, quereres.
Quando as emoções são guardadas
É possível um pouco de serenidade.
e um tanto de liberdade de não estar.
Cheguei onde a vida me levou em escolhas.
Ora aqui, ora ali, erros e acertos.
Estar a sós, estar com quem se quer.
Às vezes os outros estão dentro de nós
E nada mais surpreende
Somente aquilo que você dá a si mesmo.
Certos lugares sempre me entediam
E perguntas sobre o porquê sempre surgem
Assim o dia não passa sem questionamentos
Assim a vida se constroi gota a gota.
De repente... é o meio do dia
Viveu-se e nem se percebeu
Ainda bem que os eventos estão lá
E você é parte deles, amém!
Enfim, só é possível ser fiel a si mesmo
Quando o presente pressiona, podemos fugir
Escolher ser ou não ser
Ajeitando uns bocados para sobrar alguma dignidade
Diminuir exigências, necessidades, quereres.
Quando as emoções são guardadas
É possível um pouco de serenidade.
domingo, 11 de abril de 2010
Minha cegueira
Eu caminhava apreensiva e apressada...
Ela vinha apenas com uma preocupação: caminhar.
Certamente não me percebeu chegando
Nem me observando enquanto eu via o seu tatear.
Nada além de tatear tinha que ser feito
E eu desfeita em minhas obscuras e estúpidas preocupações.
E sei, amanhã já terei esquecido dela
Mais do que hoje, ruminarei minha vida
Resumida a menos do que só caminhar
Nisto, de longe, ela me supera.
Eu nem consigo somente caminhar.
Fechei os olhos e aí eu vi
Que nem a visão que eu tenho veria
Muito mais do que estou a ver atualmente
E então me indaguei se realmente via algo
Em comparação à moça e sua bengala
Cega na penumbra do anoitecer
Quando eu devia continuar a ver a vida
Muito melhor do que essa que vejo.
Ela vinha apenas com uma preocupação: caminhar.
Certamente não me percebeu chegando
Nem me observando enquanto eu via o seu tatear.
Nada além de tatear tinha que ser feito
E eu desfeita em minhas obscuras e estúpidas preocupações.
E sei, amanhã já terei esquecido dela
Mais do que hoje, ruminarei minha vida
Resumida a menos do que só caminhar
Nisto, de longe, ela me supera.
Eu nem consigo somente caminhar.
Fechei os olhos e aí eu vi
Que nem a visão que eu tenho veria
Muito mais do que estou a ver atualmente
E então me indaguei se realmente via algo
Em comparação à moça e sua bengala
Cega na penumbra do anoitecer
Quando eu devia continuar a ver a vida
Muito melhor do que essa que vejo.
sábado, 13 de março de 2010
Na dança pela chuva

Viktor Navorski, personagem interpretado por Tom Hanks em "O terminal" só se assemelha a Heinz Müller em um ponto: o fato destes dois homens terem escolhido um aeroporto para morar durante um período de suas vidas.
Viktor Navorski e Heinz Müller tinham motivos diferentes. Os motivos de Navorski podem ser encontrados assistindo ao filme; os motivos de Müller, lendo a reportagem da revista Época, 02 nov. 2009.
Mas por que estou trazendo à tona estes dois personagens?
De Navorski, a determinação de morar em um aeroporto para conseguir um autógrafo; de Müller, mais interessada, o que o levou a morar em Viracopos por duas semanas, uma vez que não se tratou de uma história de ficção.
Heinz Müller, como se sabe, veio ao Brasil para conhecer sua suposta "namorada". Suposta pois tratava-se de uma namorada virtual (internautas sabem que as pessoas da internet nem sempre são feitas de carne e osso). Quando se conheceram, o posto de namorada, nem virtual nem carnal mais cabia. Müller foi rejeitado, é claro, como era de se esperar. Afinal, segundo a história relatada pela revista, tratava-se de um homem perturbado. Convenhamos, a namorada brasileira deve tê-lo imaginado de outra maneira.
Mas... por que precisamos namorar virtualmente se há tantas almas solitárias dando sopa muito perto de nós?
Por que existe a sensação que é de verdade, quando estamos lá a nos "entender", que a virtualidade vai abrir uma nova dimensão em nós seres humanos?
No caso de Müller, o homem real não agradou, principalmente depois que o dinheiro havia acabado e que a sua sanidade fora questionada.
O que me importa analisar é a atitude de Heinz em vir ao Brasil para, enfim, realizar seu sonho: viver seu grande amor com a namorada internauta.
A questão que me move é: o que a virtualidade não comunica e que um olhar é capaz de captar?
Estamos acreditando que ver primeiro é mais importante do que ouvir?
Avançamos crendo que a comunicação global pela internet aboliu nosso sentido mais exigente que é o ver/tocar?
Enquanto pergunto, estou como os índios: danço para ver se vai chover.
Por fim, penso que muitos não precisarão dormir em aeroportos porque a telinha não foi fiel à idealização de um grande amor.
domingo, 21 de fevereiro de 2010
Felicidades... eles me disseram!
Anterior à invenção do amor romântico, o ressentimento, composição final que produz uma sensação que fica depois que algo acabou mal, é a repetição de uma dor que invade.
O ressentimento é um diálogo persistente, de um só falante e voz, mas que não quer cessar e não pode ser negado, tampouco admitido.
Funciona como um motor. Tende a criar um hábito, que é o da repetição, pois precisa ser todo dia lembrado porque não sarou.
É uma brasa que a humana condição mantém acesa.
Quem não se vinga, no sentido de praticar qualquer ato concreto, está fadado ao ressentimento.
As escolhas de nossas vidas produzem ressentimentos porque muitas são impossíveis de análise.
Quando o ressentimento acaba, a dívida foi paga. E com isso, é possível dizer que o ressentido se sente em prejuízo.
O ressentimento é o avesso da felicidade. Quem está feliz não conversa consigo mesmo.
Assim, quando alguém nos desejar felicidades, pensemos que já a temos um pouco.
O ressentimento é um diálogo persistente, de um só falante e voz, mas que não quer cessar e não pode ser negado, tampouco admitido.
Funciona como um motor. Tende a criar um hábito, que é o da repetição, pois precisa ser todo dia lembrado porque não sarou.
É uma brasa que a humana condição mantém acesa.
Quem não se vinga, no sentido de praticar qualquer ato concreto, está fadado ao ressentimento.
As escolhas de nossas vidas produzem ressentimentos porque muitas são impossíveis de análise.
Quando o ressentimento acaba, a dívida foi paga. E com isso, é possível dizer que o ressentido se sente em prejuízo.
O ressentimento é o avesso da felicidade. Quem está feliz não conversa consigo mesmo.
Assim, quando alguém nos desejar felicidades, pensemos que já a temos um pouco.
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
De olho na cruz
Podia ter ocorrido em qualquer parte do mundo onde neva, mas vamos dizer que foi no Canadá.
A historinha pode ter tido outras versões, mas vamos dizer que esta aqui é a oficial.
Conta-se que certa feita foi promovida uma competição entre crianças, sendo o desafio que elas procurassem fazer uma trilha na neve, a mais reta que conseguissem.
Por mais que se esforçassem, percebia-se que era grande a dificuldade que as crianças encontraram em cumprir a tarefa. Apenas uma realizou o desafio. Ao final, perguntaram-lhe como havia conseguido e ela explicou que para se locomover visualizou uma cruz ao longe, no alto de uma igreja.
Fiquei me perguntando, após ouvir essa história, nas inúmeras vezes em que não visualizei nem cruz e nem nada, ao perseguir uma meta.
Enquanto eu pensava em escrever sobre isso, de dentro do carro, paralisado num congestionamento de fim de tarde, olhei para o lado ... e... vi. Vi, no alto de uma montanha, de meu lado esquerdo, uma grande cruz, coincidentemente, como por encomenda.
Será que a cruz me achou primeiro?
A historinha pode ter tido outras versões, mas vamos dizer que esta aqui é a oficial.
Conta-se que certa feita foi promovida uma competição entre crianças, sendo o desafio que elas procurassem fazer uma trilha na neve, a mais reta que conseguissem.
Por mais que se esforçassem, percebia-se que era grande a dificuldade que as crianças encontraram em cumprir a tarefa. Apenas uma realizou o desafio. Ao final, perguntaram-lhe como havia conseguido e ela explicou que para se locomover visualizou uma cruz ao longe, no alto de uma igreja.
Fiquei me perguntando, após ouvir essa história, nas inúmeras vezes em que não visualizei nem cruz e nem nada, ao perseguir uma meta.
Enquanto eu pensava em escrever sobre isso, de dentro do carro, paralisado num congestionamento de fim de tarde, olhei para o lado ... e... vi. Vi, no alto de uma montanha, de meu lado esquerdo, uma grande cruz, coincidentemente, como por encomenda.
Será que a cruz me achou primeiro?
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010
Seres humanos de ALUGUEL
Um de meus professores do mestrado recomendava que desenvolvêssemos a capacidade de rir de nós mesmos. Sem dúvida, bom remédio contra as incongruências que a vida nos reserva, quando, é claro, nos responsabilizamos pelo que nos acontece. E o que nos acontece sempre é próprio dos errantes (aqueles que erram, fique bem claro).
Mas o que ele nunca recomendou foi outros rirem de nós. E porque isso não é raro, muito mais do que o rir de nós mesmos, estou chamando de seres humanos de aluguel a quem se presta a esse papel. Pena que essas pessoas nunca podem ser detectadas de imediato, ainda que a intuição sinalize. Deveriam ser escolhidas por nós e lacradas com um rótulo explicativo: divertidos, entretenimento garantido, lesão moderada, etc...
No momento, rendo-me às astúcias que esbanjam.
Mas como tudo passa, logo tudo volta aos seus lugares. E ainda podemos achar graça de nós mesmos. Será que a sabedoria popular tem razão? "Quem ri por último, ri melhor"? "Cuidado aquele que tem o teto de vidro!".
Mas o que ele nunca recomendou foi outros rirem de nós. E porque isso não é raro, muito mais do que o rir de nós mesmos, estou chamando de seres humanos de aluguel a quem se presta a esse papel. Pena que essas pessoas nunca podem ser detectadas de imediato, ainda que a intuição sinalize. Deveriam ser escolhidas por nós e lacradas com um rótulo explicativo: divertidos, entretenimento garantido, lesão moderada, etc...
No momento, rendo-me às astúcias que esbanjam.
Mas como tudo passa, logo tudo volta aos seus lugares. E ainda podemos achar graça de nós mesmos. Será que a sabedoria popular tem razão? "Quem ri por último, ri melhor"? "Cuidado aquele que tem o teto de vidro!".
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
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