terça-feira, 12 de agosto de 2025

BUDAPESTE: o monumental e a insignificância do olhar que registra











Estive em Budapeste.

Uma sensação triste e incomensurável


Meu corpo ocupando um pequeno espaço momentaneamente

As ruas gigantes e longas

As paredes tão altas e as cúpulas antigas inalcançáveis

Pessoas, muitas pessoas, andando, correndo em suas vidas

E eu, um pouco ali, sem modificar nada com o espaço que meu corpo ocupava

Palavras ouvidas, tão incompreensíveis

Todo o mundo começava ali e terminava

Não sei se estava triste ou alegre diante das tantas árvores e alguns canteiros de flores

Queria ter visto a sala de estar, as camas e suas cobertas

A cozinha e os seus apetrechos.

Budapeste foi contada 

Suas pontes visitadas

Seus monumentos confirmados

Imaginei Budapeste num dia de chuva, cinza e mais frio 

Imaginei as crianças na rua

As casas vermelhas, amarelas e azuis

Não, não seria mais a mesma cidade

Deixo Budapeste ser quem ela sempre foi.




Por que escrevo?




Escrevo porque não sei

Porque comprei uma blusa verde e já é quase primavera

Porque me sufoca a ignorância no quarto escuro

Escrevo porque não encontro as respostas para as perguntas impossíveis

Porque a dor na perna não é minha dor costumeira

Porque a estrada tem vento e está cheia de pressa

Escrevo porque todo dia a dor me sufoca o grito

Porque não sei nada 

Porque sem escrever o medo aumenta e a covardia parece inútil

Escrevo porque tomei banho cedo e saí andando 

Porque sempre há algo lá fora que não encontro cá dentro

Porque meu quarto é quente e meu livro me espera fechado

Escrevo porque leio as palavras alheias com preguiça

Porque não me bastam

Porque escrever é tanto como falar

Escrevo porque depois os motivos serão esquecidos

Porque a fome de pão encobre meu desejo faminto

Porque não sei para quem dizer

Escrevo porque amo as letras do meu idioma

Porque me faz feliz ter pensamentos

Porque choro palavras que não viram texto

Escrevo para aplacar minha angústia de existir

Porque não quero esquecer

Porque escrever é meu modo de dizer que não sei.