Lamento profundamente que não tenho memória, nem capacidade de relato. Isto é, estou desprovida para escrever. Mas e se escrever é o que me distrai do tédio?
Como vou me apaixonar e depois acreditar que sei me contar?
Não preciso fazer tanto esforço procurando coisas interessantes a fazer. Isso até me entedia também. Preciso acreditar que tudo é minha vida. E ela passará em branco se eu não me convencer de que vale registrá-la. Mas como escrever sem talento?
Como escrever sem palavras? Como dizer do belo e do terrível quando tudo parece a mesma coisa?
sábado, 31 de julho de 2010
sexta-feira, 30 de julho de 2010
"Vivo porque espero"
O caldeirão do desejo de dizer transborda... nem sempre tenho as palavras.
Começo, então, com o título, um fragmento da poesia de um poeta português: "Vivo porque espero".
Quem pode dizer esse verso? Todos os seres humanos, indistintamente, com alguma consciência sobre a própria vida.
Meu objetivo é me transportar com o verso ao texto de Arthur Schopenhauer "O vazio da existência" para compreender essa miserável condição em que todos nos encontramos mas que poucos admitem.
Assim, como quer Schopenhauer, todos vivemos sob o domínio da idealidade do tempo e do espaço, chave do sistema metafísico, que proporciona uma ordem das coisas distinta, para além dos desígnios da natureza. É para compensar a grande desilusão, da qual vamos a cada dia tomando mais contato, ainda que uns admitam e outros se ofendam quando são convidados a encarar essa verdade.
O presente, por sua efemeridade e inconstância, não merece um esforço físico sério. Schopenhauer, só para "os fortes", afirma: "A felicidade é inconcebível".
É estranho que um dia olhamos para trás e nos damos conta de que aquilo que deixamos passar despercebido e sem proveito era precisamente a nossa vida e que fomos enganados por nossa esperança.(Nietzsche dizia que o último elemento que saiu da caixa de pandora foi a esperança. Pena, devia ter sido a primeira. Assim, não esperaríamos tanta coisa em vão, que nunca vai nos acontecer e, consequentemente, abreviaríamos as desilusões).
O motivo porque algo tem de estar sempre acontecendo em nossa vida é o tédio. O tédio é sinal de ausência de surpresa e anseios.
O estado tedioso indica de que o que temos não nos seduz mais, já está conquistado. E o que conquistamos, torna-se um fardo. Diz o filósofo: "... o tédio é meramente o sentimento de vazio da existência".
Por isso, a vida humana não tem um fim em si mesma. Quando a busca desacelera, nada nos parece satisfazer.
"O inato e inextirpável anseio pelo que é incomum demonstra quão gratos somos pela interrupção do tedioso curso natural das coisas".
Por vezes experimentamos um breve intervalo, quando a existência está livre de sofrimento. Mas esse intervalo logo é sucedido pelo tédio e por sua vez, rapidamente sucedido por novos anseios.
Ao fazer essa reflexão, procuro pensar que não vou me esquecer, quando chegar o momento de assim buscar o que foi minha vida, do momento em que admiti que meu tédio, enfadonho e sufocante, foi necessário para que eu escrevesse isso aqui.
Começo, então, com o título, um fragmento da poesia de um poeta português: "Vivo porque espero".
Quem pode dizer esse verso? Todos os seres humanos, indistintamente, com alguma consciência sobre a própria vida.
Meu objetivo é me transportar com o verso ao texto de Arthur Schopenhauer "O vazio da existência" para compreender essa miserável condição em que todos nos encontramos mas que poucos admitem.
Assim, como quer Schopenhauer, todos vivemos sob o domínio da idealidade do tempo e do espaço, chave do sistema metafísico, que proporciona uma ordem das coisas distinta, para além dos desígnios da natureza. É para compensar a grande desilusão, da qual vamos a cada dia tomando mais contato, ainda que uns admitam e outros se ofendam quando são convidados a encarar essa verdade.
O presente, por sua efemeridade e inconstância, não merece um esforço físico sério. Schopenhauer, só para "os fortes", afirma: "A felicidade é inconcebível".
É estranho que um dia olhamos para trás e nos damos conta de que aquilo que deixamos passar despercebido e sem proveito era precisamente a nossa vida e que fomos enganados por nossa esperança.(Nietzsche dizia que o último elemento que saiu da caixa de pandora foi a esperança. Pena, devia ter sido a primeira. Assim, não esperaríamos tanta coisa em vão, que nunca vai nos acontecer e, consequentemente, abreviaríamos as desilusões).
O motivo porque algo tem de estar sempre acontecendo em nossa vida é o tédio. O tédio é sinal de ausência de surpresa e anseios.
O estado tedioso indica de que o que temos não nos seduz mais, já está conquistado. E o que conquistamos, torna-se um fardo. Diz o filósofo: "... o tédio é meramente o sentimento de vazio da existência".
Por isso, a vida humana não tem um fim em si mesma. Quando a busca desacelera, nada nos parece satisfazer.
"O inato e inextirpável anseio pelo que é incomum demonstra quão gratos somos pela interrupção do tedioso curso natural das coisas".
Por vezes experimentamos um breve intervalo, quando a existência está livre de sofrimento. Mas esse intervalo logo é sucedido pelo tédio e por sua vez, rapidamente sucedido por novos anseios.
Ao fazer essa reflexão, procuro pensar que não vou me esquecer, quando chegar o momento de assim buscar o que foi minha vida, do momento em que admiti que meu tédio, enfadonho e sufocante, foi necessário para que eu escrevesse isso aqui.
sábado, 24 de julho de 2010
Adiar...
Se descobríssemos forma, maneira de como adiar a morte, parariamos de:
- escrever livros;
- apaixonarmo-nos;
- casar;
- gerar filhos;
- fazer financiamentos a perder de vista;
- aproveitar tudo dos outros em benefício próprio;
- trabalhar para juntar tanta inutilidade;
- contar tantas mentiras;
- distrairmo-nos...
- escrever livros;
- apaixonarmo-nos;
- casar;
- gerar filhos;
- fazer financiamentos a perder de vista;
- aproveitar tudo dos outros em benefício próprio;
- trabalhar para juntar tanta inutilidade;
- contar tantas mentiras;
- distrairmo-nos...
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