Acabei de ouvir Frejat cantar aquela canção "Por você".
Seu conteúdo elenca uma série de loucuras ou quase isso que alguém poderia fazer por outra pessoa.
Recentemente tenho me convencido, com a ajuda de Martha Stout, que isso poderia ser caracterizado como atitude típica da exigência de um sociopata para com quem escolheu como sua vítima.
Quem faz as loucuras pelos sociopatas somos nós, seres de consciência e afetos.
A poesia, a música, enfim a arte faz um amálgama entre realidade e fantasia, que, quando bem dosado, é aquilo que faz dar sentido a nossas vidas. Ao contrário da doença social do maníaco. Bem longe da suposta fantasia hilariante e sedutora do sociopata.
Mas... o que faço por alguém, que se passa dentro do segredo dos meus pensamentos e não consigo contar a ninguém?
Quanta energia dispendo para alimentar minhas fantasias, no intuito de imaginar-me desejada por quem eu desejo?
Que responsabilidades adio para continuar me sentindo atrelada a quem eu acredito me dar hora dessas a mesma dedicação?
Por que me abstenho da maioria dos movimentos em direção ao meu prazer pessoal para não me distrair do que a pessoa nem me diz?
Como consigo me manter tão fiel à representação de que não ando paranoica?
Se a arte puder me respaldar não precisarei pensar que tudo foi loucura.
Pelo menos tentei me manter entre o real e a fantasia e, com isso, não entristecer tanto.
sexta-feira, 21 de outubro de 2011
quarta-feira, 12 de outubro de 2011
Sinopse ou leitura densa
Na sala escura, os livros dormem, silenciosos, guardando nas entrelinhas os segredos de quem os escreveu.
As estrelas dormem acesas um sono longínquo e desinteressado, enquanto as páginas grudadas fixam suas frases perdidas na eternidade.
Mesmo que a brisa sopre forte, mesmo que as folhas despenquem, nada perturba o descanso das histórias.
Na noite úmida, as personagens saem das estantes e dançam suas saudades num espaço concedido pelo passado.
Os livros dizem tudo de si mas quem os lerá quando o dia amanhecer?
Quando o sol convidar para sair à rua sem a sombra da escuridão?
Quem vai parar para tocar suas texturas?
Quem quererá se ficar um pouco mais?
Quem passará da sinopse e lerá suas histórias mais densas?
Não importa: haverá leitores diversos.
Aos que param nas sinopses bastará reconhecer.
Os que penetrarem nas profundezas sempre levarão um pouco dos livros consigo.
Não sei se desconhecer é antagônico à pouca profundidade.
Falas soltas, sorrisos fáceis, pensamentos leves...
Assim tem de ser?
* M. U.
terça-feira, 4 de outubro de 2011
Cinza
Há muitos anos senti a maior dor que a vida pode nos fazer experimentar.
Ela me conduziu a conhecer o máximo que eu poderia aguentar.
Pensei que depois... eu estaria imune a qualquer violência.
Que tudo o que me acometesse seria infantilização do caos.
Pode ser!
Mas por que ainda tenho que me lembrar até hoje que eu já passei das portas do inferno,que eu senti minha carne queimar, sem achar a água para minimizar o calor?
Parece que sofrer tudo de uma vez não nos deixa imunizados para todo o sempre.
As dores são multifacetadas e tem muitas tonalidades de cinza.
Sim, a dor é cinza. A mistura de preto e branco.
Não é por acaso que viramos cinza.
Ela me conduziu a conhecer o máximo que eu poderia aguentar.
Pensei que depois... eu estaria imune a qualquer violência.
Que tudo o que me acometesse seria infantilização do caos.
Pode ser!
Mas por que ainda tenho que me lembrar até hoje que eu já passei das portas do inferno,que eu senti minha carne queimar, sem achar a água para minimizar o calor?
Parece que sofrer tudo de uma vez não nos deixa imunizados para todo o sempre.
As dores são multifacetadas e tem muitas tonalidades de cinza.
Sim, a dor é cinza. A mistura de preto e branco.
Não é por acaso que viramos cinza.
sábado, 1 de outubro de 2011
Por favor, não me faça feliz
Nos anos em que fui feliz, nada pude escrever.
Se fosse feliz, não escreveria agora.
Minha vida é completa de faltas.
Todas elas fazem-me muita dor.
Mas sem as dores somos estúpidos.
Perls (1977) diz que a grande obra de arte é real e, ao mesmo tempo, ilusão.
A fantasia permeia a criação sob um mundo real. Só o mundo real, não é possível.
Só fantasia, e não estabeleceremos credibilidade alguma.
Se fosse feliz, não escreveria agora.
Minha vida é completa de faltas.
Todas elas fazem-me muita dor.
Mas sem as dores somos estúpidos.
Perls (1977) diz que a grande obra de arte é real e, ao mesmo tempo, ilusão.
A fantasia permeia a criação sob um mundo real. Só o mundo real, não é possível.
Só fantasia, e não estabeleceremos credibilidade alguma.
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