quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Ontem


Sento em frente à janela de minha alma.
E me pergunto em que fase estou.
Aliás, onde estou?
O que aconteceu com meu pensamento?
Meu corpo de contorce para dentro.
Meus braços e pernas diminuíram.
Tudo encolheu ao meu redor e eu me limitei.
Só posso falar desse fragmento de tempo
que eu sinto tão regular e sereno.
O mundo cabe nessa cama em que deito.
Desejos cerraram as portas.
Eu só quero terminar esse pensamento.
Moro nessa fase de minha vida.
E, resignada, aceito meu viver morno.
Ainda assim, tudo parece bem.

De 27/10/08 *Este texto pode ser lido do fim para o começo, gravitando em torno do ponto de luz, numa noite muito escura.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Silêncio e nada

Onde são ditas as coisas sem pudor?
Onde ficam as frases não ditas?
Onde se refugia a tristeza quando não podemos dizer?
As coisas têm múltiplos sentidos. Deveríamos, como recomenda Saramago, dar-lhes a volta para que possamos dirigir-lhes um olhar mais justo.
Quem muito se põe a pensar, a refletir tem o que dizer. Assim, os outros, que não o fazem, podem ficar tão extasiados e achar que isso é pura impertinência.

Livro e companhia

A mulher não se utilizou das mesmas palavras mas quis dizer:
- Você está gastando dinheiro com esses livros, que encomenda comigo, porque está fazendo um curso, não é? Não me diga que você consegue pagar cinquenta reais por um livro só por prazer? Afinal, diga-me, para quê?
Cada vez mais são os livros a minha companhia predileta. Nunca sonhei que me traíam, que me faziam sentir desilusão!
Os livros deveriam se ressentir que eu os comparo com os seres humanos.