segunda-feira, 15 de abril de 2019

Tudo igual



Mundo. mundo... Por que você não me surpreende? Ainda no agora?
Essa solidão peculiar... Essa força comovedora de quem tem mais visão quando olha debaixo.
Costumeira indecisão. O que fazer com a realidade? Ela se faz, ora.

Os ventos, ainda que parados aqui, sopram em outros lugares. Acariciam outras faces.
A hora que passa muda a brisa. Tudo, de repente, se move. Dentro, a mesma sensação.
Onde está a mãe verdadeira? Aquela que se afastou e começou a ver de longe minha vida aqui.

Que coisas diria?
Será que seu olhar seria outro?
Essa é, surpreendentemente, minha melhor expectativa para quando não houver mais fome mundana.
A noite não é só essa noite. O dia não é mais o dia que sempre foi. Tem de ser outro, diferente, espero...

Agarro as forças que me restam. Mas que vida que não me surpreende!

quinta-feira, 11 de abril de 2019

Inominável dor

Quando o assunto é morte, tudo são apenas suposições.
Mais aprofundadas ainda, as suposições sobre algum tipo de atividade após a nossa morte.

Tenho sentido um grande desconforto ao pensar na minha morte.
Quantas pessoas não poderei mais ver, principalmente aquelas por quem tenho um amor profundo.
Quantas paisagens e situações nunca mais farão parte de mim.

A vida, por essa preocupação, já quase começa a perder o brilho agora, bem antes do estúpido destino a que pertencem os velhos.

Mas nada é assim. São apenas mais ilusões na lista interminável que acumulamos.
Morrer pode ser outra coisa. É outra coisa.

Vida e morte. Dois substantivos femininos. Engraçado, esse detalhe nada muda.
O que muda são "as atividades" que as distinguem. Um corpo em movimento e depois um corpo paralisado.

A inominável dor também é suposta. Ninguém sabe nada sobre a morte.
Talvez isso é que esteja me atrapalhando a vida.

Como sentirei saudades de alguém se estou morta?
Como sentirei falta da minha vida se a morte veio para eu parar de sentir tudo o que sinto?

As preocupações e o medo são infundados. E mesmo que os alimentemos, talvez estejamos apenas  ocupando o pensamento.

Algumas pessoas descobriram o que as amedronta com a aproximação da morte. É a passagem.
A passagem é um aceno que retém ainda um pouco de consciência, acho. O que dói é a consciência. Essa regra serve para todos os momentos da vida.

A morte deve ser como a picada de uma agulha. Você sente quando ela está furando sua carne. Mas quando está sendo retirada, o alívio é imediato.

quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

Meu pequeno jardim de Monet



Eu nasci e fui predestinada a permanecer em um lugar onde as flores e os jardins teriam a incumbência de me ensinar a apreciá-los. Carrego esse gosto comigo desde antes da adolescência. 

Um dia cheguei em Londres e pude capturar meu pequeno jardim de Monet nos jardins do Palácio de Buckingham. Ele estava lá, me esperando, sobressaindo-se às igrejas e palácios reais. Meu pequeno Jardim de Monet foi eternizado em minha memória e hoje posso revisitar Londres sempre que observo as plantas, o lago, as flores que minha máquina fotográfica enquadrou.

Como cheguei à conclusão de que havia semelhanças entre os jardins de Monet na França e uma cena dos jardins do Palácio de Buckingham fotografados por mim quando por lá andei? Além de outra história que explica essa feliz coincidência, eu me empenhei de compará-los. E como são belos!!! 





terça-feira, 1 de janeiro de 2019

Todo dia

O absurdo na vida de alguém que se diz um pouquinho inteligente é admitir que uma característica sobre meu signo é a desprezível preguiça que pode usurpar a palavra escrita, simplesmente pela inevitável catástrofe de, uma vez na cama, não levantar e geralmente continuar a assistir ao filme sem graça que está passando na televisão.

No dia seguinte, como remoendo o primeiro remorso do ano, acreditar que realmente escrever é só uma mera vontadezinha que pode ser ludibriada por uma película da Globo.

Tem hora que algo faz isso ser mudado. Como hoje. Ouço uma psicóloga contar, em três minutos, uma de suas experiências mais marcantes e fundantes para a mudança de hábito em sua vida, digamos mesmo para algo bem melhor que dantes.

Minhas mensagens ultimamente não estão lá muito boas. Remoo. Rememoro incessantemente e se... e se... e se... de novo. Devia ter dito isso, feito aquilo e negado tantas outras coisas. Devia ter sabido, me encorajado... e por tantos supostos percalços sofro desses malditos fogachos, tão próprios de minha época. O que ninguém me disse é que era preciso ter mais medo do que de costume para provocá-los.

Nesse ponto reencontro a fala da psicóloga que por um instante acessou um documentário sobre o poder da meditação em sua vida. Ela encontrou seu próprio tempo e lugar de meditar. Na sua caminhada diária, ela repete frases positivas, mais conhecidas como aquelas coisas que a gente diz para si mesmo como se realmente se gostasse.

Bem... o ano começa hoje. São 23h e 15min. E eu gostaria de dizer que vou me esforçar para escrever todo dia. Vou me esforçar para olhar o dia e esperar que o vento, as nuvens, a passagem das horas, o canto dos pássaros, o calor e o frio não sejam coisa pequena para mim. E, sim, as coisas mais grandiosas que acontecem sobre a terra e sobre as quais não tenho a menor chance de interferir.
E o que depender de mim aprendo a esperar e fazer sem me desesperar.