domingo, 21 de fevereiro de 2010

Felicidades... eles me disseram!

Anterior à invenção do amor romântico, o ressentimento, composição final que produz uma sensação que fica depois que algo acabou mal, é a repetição de uma dor que invade.
O ressentimento é um diálogo persistente, de um só falante e voz, mas que não quer cessar e não pode ser negado, tampouco admitido.
Funciona como um motor. Tende a criar um hábito, que é o da repetição, pois precisa ser todo dia lembrado porque não sarou.
É uma brasa que a humana condição mantém acesa.
Quem não se vinga, no sentido de praticar qualquer ato concreto, está fadado ao ressentimento.
As escolhas de nossas vidas produzem ressentimentos porque muitas são impossíveis de análise.
Quando o ressentimento acaba, a dívida foi paga. E com isso, é possível dizer que o ressentido se sente em prejuízo.
O ressentimento é o avesso da felicidade. Quem está feliz não conversa consigo mesmo.
Assim, quando alguém nos desejar felicidades, pensemos que já a temos um pouco.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

De olho na cruz

Podia ter ocorrido em qualquer parte do mundo onde neva, mas vamos dizer que foi no Canadá.
A historinha pode ter tido outras versões, mas vamos dizer que esta aqui é a oficial.

Conta-se que certa feita foi promovida uma competição entre crianças, sendo o desafio que elas procurassem fazer uma trilha na neve, a mais reta que conseguissem.

Por mais que se esforçassem, percebia-se que era grande a dificuldade que as crianças encontraram em cumprir a tarefa. Apenas uma realizou o desafio. Ao final, perguntaram-lhe como havia conseguido e ela explicou que para se locomover visualizou uma cruz ao longe, no alto de uma igreja.

Fiquei me perguntando, após ouvir essa história, nas inúmeras vezes em que não visualizei nem cruz e nem nada, ao perseguir uma meta.

Enquanto eu pensava em escrever sobre isso, de dentro do carro, paralisado num congestionamento de fim de tarde, olhei para o lado ... e... vi. Vi, no alto de uma montanha, de meu lado esquerdo, uma grande cruz, coincidentemente, como por encomenda.
Será que a cruz me achou primeiro?

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Seres humanos de ALUGUEL

Um de meus professores do mestrado recomendava que desenvolvêssemos a capacidade de rir de nós mesmos. Sem dúvida, bom remédio contra as incongruências que a vida nos reserva, quando, é claro, nos responsabilizamos pelo que nos acontece. E o que nos acontece sempre é próprio dos errantes (aqueles que erram, fique bem claro).
Mas o que ele nunca recomendou foi outros rirem de nós. E porque isso não é raro, muito mais do que o rir de nós mesmos, estou chamando de seres humanos de aluguel a quem se presta a esse papel. Pena que essas pessoas nunca podem ser detectadas de imediato, ainda que a intuição sinalize. Deveriam ser escolhidas por nós e lacradas com um rótulo explicativo: divertidos, entretenimento garantido, lesão moderada, etc...
No momento, rendo-me às astúcias que esbanjam.
Mas como tudo passa, logo tudo volta aos seus lugares. E ainda podemos achar graça de nós mesmos. Será que a sabedoria popular tem razão? "Quem ri por último, ri melhor"? "Cuidado aquele que tem o teto de vidro!".

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010