domingo, 21 de fevereiro de 2010

Felicidades... eles me disseram!

Anterior à invenção do amor romântico, o ressentimento, composição final que produz uma sensação que fica depois que algo acabou mal, é a repetição de uma dor que invade.
O ressentimento é um diálogo persistente, de um só falante e voz, mas que não quer cessar e não pode ser negado, tampouco admitido.
Funciona como um motor. Tende a criar um hábito, que é o da repetição, pois precisa ser todo dia lembrado porque não sarou.
É uma brasa que a humana condição mantém acesa.
Quem não se vinga, no sentido de praticar qualquer ato concreto, está fadado ao ressentimento.
As escolhas de nossas vidas produzem ressentimentos porque muitas são impossíveis de análise.
Quando o ressentimento acaba, a dívida foi paga. E com isso, é possível dizer que o ressentido se sente em prejuízo.
O ressentimento é o avesso da felicidade. Quem está feliz não conversa consigo mesmo.
Assim, quando alguém nos desejar felicidades, pensemos que já a temos um pouco.

Nenhum comentário:

Postar um comentário