Vidas no cotidiano parecem sempre fáceis de viver...
Parte 1
Há um vento lá fora ...
Ele percorre as arestas das paredes do prédio e zune como abelhas à procura de um lugar.
Diferentes coisas ele me faz pensar.
Alguém ouviu esse vento cantando durante a noite passada.
Parte 2
"Que é que se pode efetivamente aprender de essencial em atos rotineiros, ainda que ocupem a maior parte do nosso tempo?" (Brougère e Ullman, 2012, p. 1).
Aprender pela vida cotidiana... diz o título do livro.
Sei que as coisas mais incríveis busco num cotidiano vivido no passado distante.
Escolho as frutas de tanto observá-las Aprendemos se isso for importante para nossa condição
Elas começam meu dia, tenho de saber muita coisa sobre como se comportam.
Não vejo muitas pessoas invocarem as experiências do senso comum para comprarem bananas não passadas do ponto. Por vezes, comem bananas de casca escura que eu aprendi a não tomar como gostosas.
Agasalho-me conforme o frio que a vida cotidiana me ensinou a perceber. Poucas vezes me equivoco sobre a espessura do casaco. Aprendi a observar como caminham as nuvens e o vento. Não foi na escola.
Parte 3
Ao chegar em casa, reparei que havia duas blusas do trabalho com a costura desfeita no colarinho.
Pensei no tédio em ter de repará-las. Liguei a televisão e estava passando um programa sobre uma obra gigantesca, o Grand Canyon Skywalk, nos Estados Unidos. Neste momento, acho que... tudo, a má vontade, o conflito com os minutos que gastaria desapareceram. Lembrei-me que geralmente tenho um prévio desânimo diante de grandes tarefas. Tudo se evaporou e eu pensei em como seria fácil costurar as golas de minha blusa. Senti-me aliviada não estar implicada na obra panorâmica norte americana.
segunda-feira, 30 de junho de 2014
domingo, 22 de junho de 2014
Domingo, para sempre refletir...
Moro num prédio de poucos apartamentos.
Por isso há uma certa familiaridade nos passos de todos que habitam esse espaço.
Meu vizinho, por exemplo, melhora minha falta de amor ao domingo: ele liga o rádio e seleciona um programa em que fala um locutor e de vez em quando toca uma música.
É claro que é exatamente isto que me transporta de volta a minha adolescência, quando era costume esse gesto no domingo pela manhã.
Passado do meio dia, é inconcebível esta atitude, nessa hora todos os humanos num raio inestimável recolhem-se ao soninho da tarde.
Mas pelo menos tem alguém reproduzindo algo de domingo que me identifica. Eu mesma seria incapaz de fazê-lo.
Por que? Não sei.
Sei apenas que meu vizinho me é familiar quando liga o rádio e eu, no apartamento ao lado, escuto o locutor, as propagandas, as músicas no intermediário do programa e me transporto para um lugar que está muito longe de mim hoje mas que me diz respeito.
Ainda bem que tem alguém para dizer que estou aqui ainda.
Por isso há uma certa familiaridade nos passos de todos que habitam esse espaço.
Meu vizinho, por exemplo, melhora minha falta de amor ao domingo: ele liga o rádio e seleciona um programa em que fala um locutor e de vez em quando toca uma música.
É claro que é exatamente isto que me transporta de volta a minha adolescência, quando era costume esse gesto no domingo pela manhã.
Passado do meio dia, é inconcebível esta atitude, nessa hora todos os humanos num raio inestimável recolhem-se ao soninho da tarde.
Mas pelo menos tem alguém reproduzindo algo de domingo que me identifica. Eu mesma seria incapaz de fazê-lo.
Por que? Não sei.
Sei apenas que meu vizinho me é familiar quando liga o rádio e eu, no apartamento ao lado, escuto o locutor, as propagandas, as músicas no intermediário do programa e me transporto para um lugar que está muito longe de mim hoje mas que me diz respeito.
Ainda bem que tem alguém para dizer que estou aqui ainda.
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