segunda-feira, 31 de maio de 2010

Vidas incompatíveis

Não sei escrever sobre isso
Porque ainda está obscuro
Não me aproximo do entendimento
Saio pela tangente pois é mais cômodo
Não consigo dizer o que eu quero
É muito difícil saber da verdade
Preferia estar enganada ainda
Mas agora já é tarde
A vida vai cíclica e tudo é sempre igual

O que me consola
É que a noite será fresca
Ainda que isso também seja cíclico
Não me importo em saber
Que ano passado também foi assim
O que me incomoda é...
Seres humanos são assim repetitivos
E eu queria me surpreender um pouco.

sábado, 22 de maio de 2010

Sábado, dia do silêncio

Em algumas conversas, como espectadora, bem que concordo com Nietzsche, que afirmava ser o mundo um lugar bom de se viver, se as pessoas pudessem ficar mais em silêncio.

Em circunstâncias diversas, nem sempre o silêncio diz o que gostaríamos de ouvir. Porém, se refletimos sobre o que silencia as pessoas, logo deduziremos que Nietzsche sabia. O silêncio no lugar certo fala altíssimo.

Não queria que meu dia de falar fosse silenciado. Aliás, sempre precisamos falar para dizer que calar não era bem do que necessitamos.

Com o tempo aprendemos a ouvir o vento e os suspiros. É assim que se passa o sábado, dia do silêncio de dentro.

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Sobre o prazer de estar consigo mesmo

"Minha solidão não tem nada a ver com a presença ou ausência de pessoas. Detesto quem me rouba a solidão, sem em troca me oferecer verdadeiramente companhia" (Friedrich Nietzsche).

Leva-se um bocado de anos para chegar a gostar de sua própria companhia. Há pessoas que nunca o conseguirão. Tenho uma certa inveja e um pouco de pena delas. Inveja, porque continuam alimentando a ilusão de que em algum momento chegará alguém que ficará com elas para sempre. Pena, porque perdem tanto tempo antes de constatar que é possível sorrir quando se está consigo mesmo.

Talvez o mais difícil mesmo seja viver amenamente a vida. Nem foguetes e champanhe nem dor e lágrimas. Apenas menos emoções dilacerantes, porque, convenhamos, nunca estaremos tão seguros e felizes do que quando nos contentamos com nossa própria companhia.

O pensamento do filósofo aguça, ao meu ver, apenas uma versão: aquele que quiser me fazer companhia, que o saiba sê-lo. Caso contrário, fique onde está agora.

terça-feira, 18 de maio de 2010

Sherazade sem histórias

"Nada merece nosso esforço, todas as coisas boas são apenas vaidades, o mundo é uma bancarrota e a vida um mau negócio, que não paga o investimento. Para ser feliz, é preciso ser como as crianças: ignorante". Autoria atribuída a Arthur Schopenhauer, bem poderia sair de minha boca, ainda que na esquina houvesse uma dúzia de pessoas indignadas com a ideia.

Qual o problema em ver a vida dessa forma? Eis a grande pergunta. Por que resistir à dor da verdade? Mas não há alguma pretensão de convencimento. Todos os que discordarem podem continuar lendo o texto de Charles Chaplin, que faz exatamente o contrário. Exalta o poder de escolha entre um bom e um mau dia. Não consigo ver vantagem alguma em escolher ser otimista. Tanto o pessimista quanto o otimista se desgastam por construir argumentos. Por isso, o melhor mesmo é de nada saber. O problema é que crescemos e aí vamos ter de escolher se ficamos com Chaplin ou Schopenhauer.

domingo, 16 de maio de 2010

Emoções guardadas

Um pouco de alimento para o corpo
e um tanto de liberdade de não estar.
Cheguei onde a vida me levou em escolhas.
Ora aqui, ora ali, erros e acertos.
Estar a sós, estar com quem se quer.
Às vezes os outros estão dentro de nós
E nada mais surpreende
Somente aquilo que você dá a si mesmo.

Certos lugares sempre me entediam
E perguntas sobre o porquê sempre surgem
Assim o dia não passa sem questionamentos
Assim a vida se constroi gota a gota.
De repente... é o meio do dia
Viveu-se e nem se percebeu
Ainda bem que os eventos estão lá
E você é parte deles, amém!

Enfim, só é possível ser fiel a si mesmo
Quando o presente pressiona, podemos fugir
Escolher ser ou não ser
Ajeitando uns bocados para sobrar alguma dignidade
Diminuir exigências, necessidades, quereres.
Quando as emoções são guardadas
É possível um pouco de serenidade.