Pensei um dia ser possível perceber que meu problema com "férias" estaria resolvido.
Mas, não!
Está aí de novo.
Procuro, com olhar angustiado, outras pessoas que possam estar desconfortáveis ao se encontrarem, de repente, dispensadas de seu itinerário profissional. Não as encontro.
Aí noto que meu sentimento se embrenha por questões que ultrapassam o simples fato de ter de uma vez ao ano parar por alguns dias e fazer acontecer minha vida em outro estilo e ritmo.
Se soubesse como devia me sentir podia compor uma fórmula.
Estrago tudo e ainda continuo com essa sensação de perda de mim mesma.
domingo, 28 de dezembro de 2014
terça-feira, 9 de dezembro de 2014
Seu fim
A vida é assim...
Aprendemos que há riscos...
Somos transeuntes temporários...
Só não devia ficar esse luto por cadáveres...
Quando o que há só se chama surpresa...
Para um momento que, lá no fim, já acabou.
Aprendemos que há riscos...
Somos transeuntes temporários...
Só não devia ficar esse luto por cadáveres...
Quando o que há só se chama surpresa...
Para um momento que, lá no fim, já acabou.
domingo, 31 de agosto de 2014
Para Eliane, depois de um mês
Está tudo atípico.
Vamos todos nos despedindo da vida a cada minuto.
Não é agradável pensar nisto tantas vezes como eu penso.
Mas é também tolo querer fazer de conta que está tudo bem.
Quando está tudo bem, tudo está envelhecendo.
Parece que quero o tempo todo voltar às coisas de antes com meus olhos de hoje.
Quando estava no antes, nada era como agora.
Pedi um café.
Ele não veio como eu imaginava.
E o que vou fazer?
Tomar assim mesmo.
Assim é a vida: você vive a vida assim mesmo, mesmo quando ela não veio como você pediu.
Muito leite, tem gosto de leite.
O copo é de plástico.
A mesa não tem toalha.
Parece grudenta.
A colher é uma pá também de plástico.
O domingo está quente, mas é agosto, não tem frio, não tem chuva.
Não tem morangos, sequer pensar em colher.
Está tudo estranho, assim como a vida.
Não era essa a vida.
Veio com medos e limites.
Não era esse o corpo, veio doente.
Não era esse o trabalho.
Veio exaurir.
Não era esse o limite.
Veio como a morte.
domingo, 10 de agosto de 2014
Em preto e branco
Domingo, à noite, agora...
Penso...
Desespero-me...
Apazíguo-me...
Escrevo...
Vem palavras, vão palavras...
Apresso-me...
A vida tem passado!
O cotidiano me distrai de mim
Depois volto a me perceber
Quando me percebo
O tempo já se foi
Tenho saudade de algo
Da paz de um pensamento sem sofrimento.
Meu pensamento me faz sofrer
Carrega-me até as rugas das pessoas
Para quem o tempo passa tão rápido
Mas cá dentro de mim o tempo parou
Seguro nas pontas das horas do dia
E o dia amanhece, anoitece, vai embora
E eu não vivi suficiente.
Penso...
Desespero-me...
Apazíguo-me...
Escrevo...
Vem palavras, vão palavras...
Apresso-me...
A vida tem passado!
O cotidiano me distrai de mim
Depois volto a me perceber
Quando me percebo
O tempo já se foi
Tenho saudade de algo
Da paz de um pensamento sem sofrimento.
Meu pensamento me faz sofrer
Carrega-me até as rugas das pessoas
Para quem o tempo passa tão rápido
Mas cá dentro de mim o tempo parou
Seguro nas pontas das horas do dia
E o dia amanhece, anoitece, vai embora
E eu não vivi suficiente.
segunda-feira, 7 de julho de 2014
Difícil dizer, difícil escrever!
Às vezes tenho vergonha do que escrevo.
Recentemente deduzi que meu processo de letramento foi um dos piores que se pode impingir a uma criança.
Aprendi a ler sem que os adultos me frisassem a função social da escrita.
A única coisa que sabíamos sobre aprender a ler é que quem não o conseguisse seria alvo de muita depreciação. É... era isso que nos movia.
Fico imaginando como me comportaria se meus professores tivessem me ensinado apreciar poesia, romances, crônicas, contos, notícias de jornal, cartas de amor, telegramas, bilhetes, discursos políticos, relatórios, projetos, textos científicos, tantos gêneros da linguagem escrita. Acho que eles também estavam despreparados, coitados. Somos todos frutos de uma educação empobrecida dos últimos setenta anos na história do Brasil.
Essa marca me ficou e muitas vezes, quando quero me desfazer em palavras , elas não se apresentam, bem como quando criança, que ao invés de escrever sobre sentimentos, sensações, emoções, escrevíamos letras e sílabas vazias de sentido.
terça-feira, 1 de julho de 2014
INCOMUM: encontrei-me em você!
Poucas evidências classificam minha trajetória como satisfatória.
Tempos fraturados por pensamentos tristes e ossos frágeis.
Só posso estar feliz, só posso...
Como se planejado em minúcias num tempo e vida que não se adaptaram.
Procurei minha capacidade de aceitar em cada hora da noite perturbada.
Olho o caminho e me vem a certeza: bonitos lugares estiveram me preenchendo.
Não seria assim melhor do que hoje em nenhum outro momento.
Essa lacuna cicatrizada que se instalou em meu caminho
É o qualquer, que seja o que quiser.
Sempre será aceito com um sorriso de boa surpresa
Como última lição a ser aprendida.
Então... sigamos com a brisa agarrada nas marcas do tempo
A roçar nossos desejos, nossos sonhos
Tudo o que vier e tudo o que faltar
Será o que podemos dar
Mesmo que nunca queiramos dizer.
* Sempre para D.
segunda-feira, 30 de junho de 2014
O frio, o vento, a linha de costura e o grand canyon
Vidas no cotidiano parecem sempre fáceis de viver...
Parte 1
Há um vento lá fora ...
Ele percorre as arestas das paredes do prédio e zune como abelhas à procura de um lugar.
Diferentes coisas ele me faz pensar.
Alguém ouviu esse vento cantando durante a noite passada.
Parte 2
"Que é que se pode efetivamente aprender de essencial em atos rotineiros, ainda que ocupem a maior parte do nosso tempo?" (Brougère e Ullman, 2012, p. 1).
Aprender pela vida cotidiana... diz o título do livro.
Sei que as coisas mais incríveis busco num cotidiano vivido no passado distante.
Escolho as frutas de tanto observá-las Aprendemos se isso for importante para nossa condição
Elas começam meu dia, tenho de saber muita coisa sobre como se comportam.
Não vejo muitas pessoas invocarem as experiências do senso comum para comprarem bananas não passadas do ponto. Por vezes, comem bananas de casca escura que eu aprendi a não tomar como gostosas.
Agasalho-me conforme o frio que a vida cotidiana me ensinou a perceber. Poucas vezes me equivoco sobre a espessura do casaco. Aprendi a observar como caminham as nuvens e o vento. Não foi na escola.
Parte 3
Ao chegar em casa, reparei que havia duas blusas do trabalho com a costura desfeita no colarinho.
Pensei no tédio em ter de repará-las. Liguei a televisão e estava passando um programa sobre uma obra gigantesca, o Grand Canyon Skywalk, nos Estados Unidos. Neste momento, acho que... tudo, a má vontade, o conflito com os minutos que gastaria desapareceram. Lembrei-me que geralmente tenho um prévio desânimo diante de grandes tarefas. Tudo se evaporou e eu pensei em como seria fácil costurar as golas de minha blusa. Senti-me aliviada não estar implicada na obra panorâmica norte americana.
Parte 1
Há um vento lá fora ...
Ele percorre as arestas das paredes do prédio e zune como abelhas à procura de um lugar.
Diferentes coisas ele me faz pensar.
Alguém ouviu esse vento cantando durante a noite passada.
Parte 2
"Que é que se pode efetivamente aprender de essencial em atos rotineiros, ainda que ocupem a maior parte do nosso tempo?" (Brougère e Ullman, 2012, p. 1).
Aprender pela vida cotidiana... diz o título do livro.
Sei que as coisas mais incríveis busco num cotidiano vivido no passado distante.
Escolho as frutas de tanto observá-las Aprendemos se isso for importante para nossa condição
Elas começam meu dia, tenho de saber muita coisa sobre como se comportam.
Não vejo muitas pessoas invocarem as experiências do senso comum para comprarem bananas não passadas do ponto. Por vezes, comem bananas de casca escura que eu aprendi a não tomar como gostosas.
Agasalho-me conforme o frio que a vida cotidiana me ensinou a perceber. Poucas vezes me equivoco sobre a espessura do casaco. Aprendi a observar como caminham as nuvens e o vento. Não foi na escola.
Parte 3
Ao chegar em casa, reparei que havia duas blusas do trabalho com a costura desfeita no colarinho.
Pensei no tédio em ter de repará-las. Liguei a televisão e estava passando um programa sobre uma obra gigantesca, o Grand Canyon Skywalk, nos Estados Unidos. Neste momento, acho que... tudo, a má vontade, o conflito com os minutos que gastaria desapareceram. Lembrei-me que geralmente tenho um prévio desânimo diante de grandes tarefas. Tudo se evaporou e eu pensei em como seria fácil costurar as golas de minha blusa. Senti-me aliviada não estar implicada na obra panorâmica norte americana.
domingo, 22 de junho de 2014
Domingo, para sempre refletir...
Moro num prédio de poucos apartamentos.
Por isso há uma certa familiaridade nos passos de todos que habitam esse espaço.
Meu vizinho, por exemplo, melhora minha falta de amor ao domingo: ele liga o rádio e seleciona um programa em que fala um locutor e de vez em quando toca uma música.
É claro que é exatamente isto que me transporta de volta a minha adolescência, quando era costume esse gesto no domingo pela manhã.
Passado do meio dia, é inconcebível esta atitude, nessa hora todos os humanos num raio inestimável recolhem-se ao soninho da tarde.
Mas pelo menos tem alguém reproduzindo algo de domingo que me identifica. Eu mesma seria incapaz de fazê-lo.
Por que? Não sei.
Sei apenas que meu vizinho me é familiar quando liga o rádio e eu, no apartamento ao lado, escuto o locutor, as propagandas, as músicas no intermediário do programa e me transporto para um lugar que está muito longe de mim hoje mas que me diz respeito.
Ainda bem que tem alguém para dizer que estou aqui ainda.
Por isso há uma certa familiaridade nos passos de todos que habitam esse espaço.
Meu vizinho, por exemplo, melhora minha falta de amor ao domingo: ele liga o rádio e seleciona um programa em que fala um locutor e de vez em quando toca uma música.
É claro que é exatamente isto que me transporta de volta a minha adolescência, quando era costume esse gesto no domingo pela manhã.
Passado do meio dia, é inconcebível esta atitude, nessa hora todos os humanos num raio inestimável recolhem-se ao soninho da tarde.
Mas pelo menos tem alguém reproduzindo algo de domingo que me identifica. Eu mesma seria incapaz de fazê-lo.
Por que? Não sei.
Sei apenas que meu vizinho me é familiar quando liga o rádio e eu, no apartamento ao lado, escuto o locutor, as propagandas, as músicas no intermediário do programa e me transporto para um lugar que está muito longe de mim hoje mas que me diz respeito.
Ainda bem que tem alguém para dizer que estou aqui ainda.
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