domingo, 31 de agosto de 2014

Para Eliane, depois de um mês



Está tudo atípico.
Vamos todos nos despedindo da vida a cada minuto.
Não é agradável pensar nisto tantas vezes como eu penso.
Mas é também tolo querer fazer de conta que está tudo bem.
Quando está tudo bem, tudo está envelhecendo.
Parece que quero o tempo todo voltar às coisas de antes com meus olhos de hoje.
Quando estava no antes, nada era como agora.

Pedi um café.
Ele não veio como eu imaginava.
E o que vou fazer?
Tomar assim mesmo.
Assim é a vida: você vive a vida assim mesmo, mesmo quando ela não veio como você pediu.
Muito leite, tem gosto de leite.
O copo é de plástico.
A mesa não tem toalha.
Parece grudenta.
A colher é uma pá também de plástico.
O domingo está quente, mas é agosto, não tem frio, não tem chuva.
Não tem morangos, sequer pensar em colher.
Está tudo estranho, assim como a vida.

Não era essa a vida.
Veio com medos e limites.
Não era esse o corpo, veio doente.
Não era esse o trabalho.
Veio exaurir.
Não era esse o limite.
Veio como a morte.

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