segunda-feira, 7 de julho de 2014

Difícil dizer, difícil escrever!



Às vezes tenho vergonha do que escrevo.

Recentemente deduzi que meu processo de letramento foi um dos piores que se pode impingir a uma criança.

Aprendi a ler sem que os adultos me frisassem a função social da escrita.
A única coisa que sabíamos sobre aprender a ler é que quem não o conseguisse seria alvo de muita depreciação. É... era isso que nos movia.

Fico imaginando como me comportaria se meus professores tivessem me ensinado apreciar poesia, romances, crônicas, contos, notícias de jornal, cartas de amor, telegramas, bilhetes, discursos políticos, relatórios, projetos, textos científicos, tantos gêneros da linguagem escrita. Acho que eles também estavam despreparados, coitados. Somos todos frutos de uma educação empobrecida dos últimos setenta anos na história do Brasil. 

Essa marca me ficou e muitas vezes, quando quero me desfazer em palavras , elas não se apresentam, bem como quando criança, que ao invés de escrever sobre sentimentos, sensações, emoções, escrevíamos letras e sílabas vazias de sentido. 

terça-feira, 1 de julho de 2014

INCOMUM: encontrei-me em você!



Poucas evidências classificam minha trajetória como satisfatória.
Tempos fraturados por pensamentos tristes e ossos frágeis.

Agradeço pela insistência, pela espera, pelo investimento e pela perseverança de que um dia aconteceria.
Só posso estar feliz, só posso...

Como se planejado em minúcias num tempo e vida que não se adaptaram.
Procurei minha capacidade de aceitar em cada hora da noite perturbada.

Olho o caminho e me vem a certeza: bonitos lugares estiveram me preenchendo.
Não seria assim melhor do que hoje em nenhum outro momento.

Essa lacuna cicatrizada que se instalou em meu caminho
É o qualquer, que seja o que quiser.
Sempre será aceito com um sorriso de boa surpresa
Como última lição a ser aprendida.

Então... sigamos com a brisa agarrada nas marcas do tempo
A roçar nossos desejos, nossos sonhos
Tudo o que vier e tudo o que faltar
Será o que podemos dar
Mesmo que nunca queiramos dizer.


* Sempre para D.