segunda-feira, 19 de novembro de 2018

Veneno

Por todos os lados venta.
Minha alma balança ao sabor dos ventos e tempestades.
Não sou dona dela e de meus sentires.
Ofereço-me o colo das mães, mas minha mãe já passou.

Escavo as profundezas de minha fragilidade e só vejo finos fios que ainda me prendem a algum lugar e por motivos que nem sei de onde surgem, fortes, grandes e infinitos.

Nessas palavras vai uma grande pergunta. Por que devo ser assim?
O que foi que me constituiu de carne e osso e interrogações?

Ninguém deve ler o que escrevo. Não escrevo para nada. Só busco meu escrever.
As palavras navegam para fora de mim. São as palavras pesadas, magoadas e ressentidas.
Só me ocorre escrever. Não posso falar as palavras. Só posso escrevê-las.

O mundo é pequeno quando escrevo, mas os pensamentos possuem a grandiosidade do universo.
Essa terapia de palavras não cessa. Todos os dias há algo em mim que precisa ser escrito, ainda que eu resista e me torne o meu próprio veneno.