quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

A difícil tarefa de escrever

Desacredito mais do que qualquer outra coisa ...
Ruim! Penoso! Desanimador! Cansativo! Inútil! Assim sinto a coisa mais importante sobre mim mesma. Chegará o dia em que, talvez, não possa mais andar, nem sair de casa, descer escadas, correr, tomar banho sozinha, comer sem me lambuzar e, então, se me restar escrever será a maior felicidade. 

Eu não posso ainda ver nessa perspectiva a minha vida cerceada, mas já sei que se escrever for-me permitido, tudo terá se cumprido conforme sei desde os meus dez anos.

Então... por que não escrevo todo dia? Por que não deixo tudo o mais de lado e escrevo incessantemente? Não consigo responder ainda. Tenho um pouco de medo do presente embrulhado nesse papel bonito. Economizo as emoções e transfiro para o amanhã o desfrute desse prazer.

A banalização não combina com o ineditismo. A poesia deve ser preservada a qualquer custo. Sou a criança que quer ouvir a história de novo mas tem de adiar o enlevo que ela lhe oferece. Hoje só quero dormir um pouco. O papel me entende.


domingo, 1 de fevereiro de 2015

Incontrolável...

Com seu senso fugidio, a brisa entra por esta janela
e me alivia o rosto do calor do verão.
Incontrolavelmente ela me remete a um lugar estranhamente familiar.
Não sei o que é essa sensação. Sou convidada a parar para imaginar tantas coisas!

Minha vida é um percurso que se desenrola como uma onda tímida, temerosa.
Percebo perdas e perdas. Percebo perspectivas e outras fases.
Uma descontinuidade tem se mostrado nas nuances que temo encarar.
Nada tem se apresentado em meu entorno como um destino.

As pessoas vão me deixando e indo para outras dimensões. O que elas estão a fazer lá?
Pergunto, nestas horas angustiantes em que vivo distraidamente um plano, o que tenho me reservado?

Vários lugares vêm com a brisa. Rostos, frases, sentimentos... o tempo transcorrido.
Uma certeza: não há muito tempo. Não haverá tempo para muitas descobertas, ainda que certos processos não adianta apressar. Fica tanta coisa por dizer, por fazer, por terminar.

Abrevio e me pego distraída facilmente. Mas não tanto quanto quase todo mundo.