domingo, 27 de novembro de 2011

Invisibilidade e presença

Rapidamente...
Antes que se torne uma fuga
Antes que a emoção perca sua razão
Escrevo, segurando esse minuto.
Esse minuto que não retornará com essa intenção.
Saudades de algo que não nasceu,
De mim mesma, que não quer voltar.

A música vai ofertando um sentimento...
Que se perdeu no meu infinito ser.
Ali, logo dentro de mim,
Está tudo o que procuro,
Não consigo materializar o sonho.

Volta uma alegria tão bonita
das noites frias e distantes,
de minha adolescência cheia de vida
um sorriso para essa lembrança.

Se eu pudesse, segurava esse momento
e ofertava-me-o de volta
só para ver minha alegria
retornando quando uma grande esperança
povoava minhas certezas vindouras.

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Quero o nada


Às vezes é assim: a inspiração vai embora, quando não se tem a obsessão do poeta Manoel de Barros, ainda que de lixo se faz a maior parte de minhas ideias. Eu só não sei buscar desinteressadamente o descartado como tema de interlúdios constantes.

Hoje busco alguma palavra. Mas não a encontro, em lugar algum. Elas estão dissolvidas, misturadas ao pó do chão, trituradas nos passos de meu desprezo. Nem bem as vislumbro e elas já evaporaram na inutilidade. Minha alma está vazia e estagnada. Mas ontem eu li: "[...] o homem preferirá o nada a nada querer" (NIETZSCHE, Genealogia da moral, p. 149).

Enquanto me desenraizo no desespero do confronto com o vazio, o meu nada está recheado de vontades. Negadas, obscurecidas, ludibriadas pela provocação do nada são, o meu nada preenche esta folha.