
Às vezes é assim: a inspiração vai embora, quando não se tem a obsessão do poeta Manoel de Barros, ainda que de lixo se faz a maior parte de minhas ideias. Eu só não sei buscar desinteressadamente o descartado como tema de interlúdios constantes.
Hoje busco alguma palavra. Mas não a encontro, em lugar algum. Elas estão dissolvidas, misturadas ao pó do chão, trituradas nos passos de meu desprezo. Nem bem as vislumbro e elas já evaporaram na inutilidade. Minha alma está vazia e estagnada. Mas ontem eu li: "[...] o homem preferirá o nada a nada querer" (NIETZSCHE, Genealogia da moral, p. 149).
Enquanto me desenraizo no desespero do confronto com o vazio, o meu nada está recheado de vontades. Negadas, obscurecidas, ludibriadas pela provocação do nada são, o meu nada preenche esta folha.

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