
Quando adentramos lá pelo sexto ou sétimo dia do mês de janeiro, respiro aliviada.
Sei que a esta altura já se terá esgotado a maior parte da boa vontade das pessoas em desejar mil e uma coisas boas umas às outras, o que parece salutar se não fosse tão mecanizado.
Acredito que algumas pessoas devam achar meu comportamento um tanto antissocial, mas o que me impede de ver com alegria e entusiasmo o clima das festas natalinas e as do ano novo é a minha insistente falta de disposição para internalizar as banalidades que se expressam por essa época.
Egocentricamente falando, o que me interessa o natal e o ano novo senão porque com eles vêm minhas merecidas férias?
Admiro as famosas faxinas e retoques de pintura que se dão nas casas. É merecida uma organização em tudo que ficou mais ou menos o ano todo. Mas... se perguntarmos às pessoas o porquê de tanto empenho, não sei, acho que haverá um minuto de silêncio e depois se seguirá algo como uma frase resignada que obedeceria mesmo só à tradição das práticas.
Somos, evidentemente, livres para fazer as escolhas que estão a nosso alcance. Porém, como ficar nesta época do ano livre também para não se sentir tão marginal num mundo consumista e alienado, para não dizer 'tocado como gado" pelo consumo que hoje se faz sinônimo de felicidade?
Das frases que eu gostaria de ouvir nesta época, escolho a de Chacal, porque me parece promissora para sentir alguma felicidade, a felicidade de refletir para não falar:
" Agora não se fala nada porque cada palavra é uma cilada".














