quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Não falar para refletir


Quando adentramos lá pelo sexto ou sétimo dia do mês de janeiro, respiro aliviada.

Sei que a esta altura já se terá esgotado a maior parte da boa vontade das pessoas em desejar mil e uma coisas boas umas às outras, o que parece salutar se não fosse tão mecanizado.


Acredito que algumas pessoas devam achar meu comportamento um tanto antissocial, mas o que me impede de ver com alegria e entusiasmo o clima das festas natalinas e as do ano novo é a minha insistente falta de disposição para internalizar as banalidades que se expressam por essa época.


Egocentricamente falando, o que me interessa o natal e o ano novo senão porque com eles vêm minhas merecidas férias?


Admiro as famosas faxinas e retoques de pintura que se dão nas casas. É merecida uma organização em tudo que ficou mais ou menos o ano todo. Mas... se perguntarmos às pessoas o porquê de tanto empenho, não sei, acho que haverá um minuto de silêncio e depois se seguirá algo como uma frase resignada que obedeceria mesmo só à tradição das práticas.


Somos, evidentemente, livres para fazer as escolhas que estão a nosso alcance. Porém, como ficar nesta época do ano livre também para não se sentir tão marginal num mundo consumista e alienado, para não dizer 'tocado como gado" pelo consumo que hoje se faz sinônimo de felicidade?


Das frases que eu gostaria de ouvir nesta época, escolho a de Chacal, porque me parece promissora para sentir alguma felicidade, a felicidade de refletir para não falar:


" Agora não se fala nada porque cada palavra é uma cilada".

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

"Como se a vida valesse a pena de qualquer modo"*


Ando pensando mais na morte do que de costume.


Não é a toa: o medo que eu tenho da vida me tem provocado. E, para não assustar a qualquer pessoa que me leia, cito Domingos Oliveira, que me faz sentir menos mal por não estar festejando tanto assim: "Na nossa civilização ocidental, a morte é um palavrão [...]. O dogma de colocar a vida no ponto mais alto da escala de valores humanos é altamente dubitável".


Pois bem... este é o tema central nas observações que venho fazendo das pessoas que me cercam. Ando curiosa por saber a razão porque viver é tão desejável.

Será que não aprendemos (e de forma pouco elástica) a acreditar que sempre a condição de vivos, independente da situação em que nos encontramos, é melhor do que a aceitar as circunstâncias e as motivações para desejar a morte de nossa vida?

Se esta reflexão contivesse tão somente o pensamento que integra o título, seria suficiente para dizer todo o rol de dúvidas que tenho sobre a ilusão da validade de qualquer vida vivida.

Enfim, não creio mais que eu possa recuar. Fui longe demais com minhas perguntas. Poderíamos aprender a ser menos ingênuos da próxima vez.

*Escrito por Domingos Oliveira, em seu texto " A morte e a civilização ocidental", publicado em primeira mão no blog do autor e depois na Revista Bravo, jan. 2009.

domingo, 6 de dezembro de 2009

A liberdade está dentro da ovelha


Uma vez o domingo era meu. Foi por pouco tempo. Agora que não sei o que fazer com ele, além de escrever ou ler, faço perguntas.


"[...] de como o romance [...]" (Emma Bovary) "[...] foi lido na época [...]".


Refiro-me à leitura do romance mas poderia estar aludindo a um fato, uma história, um acontecimento trágico, enfim, algo que faz as pessoas, perplexas, comentarem por um certo tempo. Imagino que Emmas Bovarys existam aos montes por aí. O melhor é saber que minha mãe pode ser considerada uma. E foi, para todos os efeitos. Foi, porque ousou ser uma mulher corajosa. Mas foi, também, pouco inteligente por não ter sabido lidar com as confusões da vida moderna. E nisso, somos todas parecidas com Emma Bovary.


Estou um tanto amuada por procurar um sinal que prove que nós, mulheres, somos pensadas por nós mesmas. Os efeitos da realidade reduzem as conquistas e quando estamos quase sentindo algum tipo de avanço nas concepções sobre a nossa condição humana, chegamos à conclusão de que trocamos seis por meia dúzia.


Estou ocupando uma posição unilateral, é bem provável e, os homens, certamente, enfrentam conflitos próprios de sua condição. Sobretudo, a questão não é a sobreposição de um sexo sobre o outro, ao contrário. Estou dizendo que as mulheres não estão conseguindo incluir o homem em suas vidas. As transformações sociais têm impingido sentimentos estranhos ao "ser mulher" e as práticas que testemunho só me dizem que precisamos agradar.


É preciso desenhar um cenário individual. É preciso procurar pelo que viver. Na fala de David Gale, o personagem que está no corredor da morte no filme "A vida de David Gale", ao procurar o que fazer da vida, estamos adiando a morte. Se bem que isso é absolutamente do livre arbítrio de cada um, de cada uma. No meu caso, estou a aprender sobre essa possibilidade ainda, porque tenho o domingo todo para pensar, já que ele me foi devolvido.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

O dia em que...


21 de setembro é o dia da árvore.


21 de setembro é o dia da árvore e também o dia em que deixei algo para trás.


Não sei, não sei... da realidade. Tenho aprendido a revisitar a realidade de modo estranho. Principalmente por começar a aceitar que ela é produzida pelos efeitos da linguagem.

sábado, 28 de novembro de 2009

Amor é coisa de menina...




Compreender-se mulher na infinita manifestação do que o humano pode ser e se tornar, requer leituras. É recorrente, também, existirem mulheres que nunca o farão. Eu, porém, continuo trilhando esse caminho do autoconhecimento, como uma saga.

Estou a ler, com alegria e entusiasmo, "Deslocamentos do feminino", de Maria Rita Kehl. A obra é resultado da sua pesquisa de doutorado e por isso, bastante densa e elucidativa no que diz respeito à compreensão de como nós, mulheres, construímos, ao longo da história, grande parte de nossa feminilidade. Na página 93, Kehl se debruça sobre um aspecto que me interessa particularmente, porque bem pode iluminar as razões de minha escrita ser preferencialmente autobiográfica. Ela escreve: "[...] gênero muito difundido no século XIX, este sim exclusivamente feminino - da 'escrita de si ', gênero confessional herdado do hábito solitário dos diários e das cartas, cultivado pelas mulheres em seu isolamento doméstico".
Teria a escrita uma função narcótica, termo que a autora utiliza no mesmo parágrafo, para lidar com as inseguranças e instabilidades da vida moderna? Os séculos anteriores ao XIX não representaram evidência de que as mulheres utilizaram a leitura e a escrita como recurso para denunciar as condições das quais eram portadoras. Porém, o século XIX inaugura definitivamente a presença feminina nos meios literários e elas o fizeram da forma como podiam.

As reflexões sobre o livro de Kehl de novo me remeteram a pensar sobre as mulheres e o amor. Teria o amor também uma função narcótica? Estaria o amor convocado para abater o frio que provoca a modernidade em todas nós? Sou eu parte do isolamento doméstico ao transformar minha escrita de mais de trinta anos em um solitário hábito de gênero confessional?

É bem provável que a resposta seja positiva, contudo, isto não me incomoda. O que me incomoda e pelo qual tenho antipatia e mal-estar é quando ouço depoimentos de mulheres que acreditam agir de modo dependente como que atendendo a algum tipo de desígnio fatal, concebido como próprio de nossa natureza, portanto dado e imutável e por isso autoritário.

Só consigo pensar em fazer duas perguntas:
- O que será que os homens deixaram de ganhar ao não serem expostos ao amor?
- O que será que as mulheres perderam ao serem expostas prioritariamente aos caprichos do coração?

Quanto a mim, deparo-me com algo, no livro de Kehl, que me deixou feliz, ainda que ser mulher no século XXI não constitua nenhum direito ao amor por destino: a possibilidade de escrever. Escrever para traçar o próprio destino. É isso que Emma Bovary invejava nos homens, segundo Naomi Schor.

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

O tempo paulatino do amor


Às vezes eu sou de acreditar.


Quando o amor tem de acabar, ficamos ainda parecendo gotas d'água, retardadas nas folhas das árvores. A chuva já parou, faz tempo. No entanto, essas pequenas formações alongadas e transparentes ainda conseguem gotejar quando já ninguém mais espera que elas estejam lá.


Um lampejo me faz crer que o amor é como as árvores: frondosas, imponentes, fortes, sossegadas. Depois da chuva, as águas, em suas folhas, não tem pressa de ir.

O buraco que encontrou uma tampa


Uma coisa foi colocada no lugar do que se perdeu um dia no infinito inconsciente humano. Essa coisa substituta chama-se amor. Alguns chamam-na de "Deus" e a todo momento o invocam. Deus serve para todos os momentos de insegurança. Não adianta, está lá.


O amor, a coisa que veio substituir, ou Deus, pode até ter outro nome, funciona, sobretudo, como uma ponte que liga o "eu" com aquilo que dantes estava preenchido. Da falta, dessa sequer se desconfiava.


O amor quer preencher, a todo custo. Melhor dizer, com um custo sempre. E como somos 6 bilhões, é claro que nem todos o conseguem.

quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Palavras são palavras... o que te digo?


De repente pode-se mudar a perspectiva sobre o próprio pensamento pensado há anos. Os estudiosos da área da psicanálise ajudam o seu tanto.


"[...] o sujeito vem à luz quando fala, mas não qualquer palavra, nem de qualquer lugar. [...] O inconsciente [...] interfere no discurso". (Kehl, 2008, 25-6).


Que palavras são essas?


Para o neurótico, mesmo quando ele fala, o discurso é dos outros sobre ele. É a ressonância imaginária do homem.


domingo, 8 de novembro de 2009

Como dizer "te amo" sem palavras?


Maria Rita Kehl, em seu livro
"Deslocamentos do feminino", conduz-me a novas questões sobre a nossa humana condição, no que concerne ao uso da língua para expressar o que se vai conosco.


Nas pegadas de Saussure, a autora modifica a visão entre a "faculdade da linguagem", própria da espécie humana e a "língua" propriamente desenvolvida. Afirma ela que a língua não pode ser considerada uma manifestação da linguagem de um sujeito isolado e sim o resultado de uma massa falante, obedecendo a rumos diversos em cada época e em cada cultura. E, o que me parece mais pertinente ao ponto em que quero chegar, a língua é relativamente permeável às intervenções dos sujeitos. Dito de outra forma por Kehl, a linguagem articulada é "modificável ao longo do tempo em função de novas configurações sociais que demandam expressão".


Justificadas teoricamente as perguntas subsequentes, então quando escolho dizer "eu te amo", para expressar de uma vez por todas a minha entrega a um alguém, que, presumo, reconhecerá o seu significado, não estarei eu apenas dizendo o que já, quando sai de minha boca, se convencionou um clichê? Uma representação consensual da limitada condição humana em que me encontro e não uma frase que surtirá um efeito encantador no ouvinte?


Quantas vezes ao dia sou apenas a encarnação de um amontoado de frases que aprendi a dizer para me fazer existir e ser um pouco mais inteligível?


Que voz é essa que não tem sintaxe própria e que não pode deixar de dizer "eu te amo" ainda que pareça absolutamente banal?

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Seguindo Schopenhauer, pensando por mim mesma


Eu me dedico ao pensamento com interesse puramente subjetivo. Não tenho pretensões de ajudar alguém com isso, senão a mim mesma, porque viver de cara contra a parede do vazio não é fácil.

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Substituir os livros por outras coisas: o fazer contínuo. Quem nunca para de fazer, nunca se encontra consigo mesmo. E afirmo, o encontro consigo mesmo é muito triste e estranho. Não há genialidade em mim, senão uma estagnação revoltante. A vontade de estar comigo é mínima.

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Quando sabemos que nossos pensamentos são autênticos? Tudo que expressamos, foi, de certa forma, incorporado do exterior. Afirmar que existem pensamentos originais, é saber de onde eles são provenientes.

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Quem lê, procura algo. Às vezes, por si mesmo.

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Da minha janela eu vejo um mundo enquadrado. Assim, ele sempre se apresenta da mesma forma.

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Quando meus pensamentos começam a se repetir, está na hora de ler. Ler para descansar da perseguição de meu próprio pensamento.

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Tenho um grande pudor em admitir de que sou meu grande tema. Para que perder tempo com essa banalidade? Porém, sempre chego ao mesmo pensamento.

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Eu tenho um pensamento. Eu não tenho um corpo.

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O meu pensamento tem um problema insolúvel: o sentido da existência. Desconfio que os bons escritores tenham se afastado de pensar sobre e, para amenizar a recorrente não resposta, escrevem para nos entreter. Saramago, você é um deles!


*Estes pensamentos foram inspirados no texto de Schopenhauer: "Pensar por si mesmo".

domingo, 1 de novembro de 2009

Schopenhauer e o que ele me faz perguntar


Ou, para pensar, basta um querer ou, para pensar, é necessário muita leitura.

Seria interessante admitir que não se consegue escrever, ao invés de enganar os leitores de que se tem algo a dizer.

Será o que escrevo é uma desculpa para falar do vazio que pode representar a vida para certas pessoas? Será, por isso, que eu acho ridículo o que dizem sobre a beleza da vida?

Mas, para que afinal ensino? O que vai na frente? O que importa que eu esteja ensinando? É possível que a obrigação seja tão assustadora que me faz parar de questionar o valor da função de ensinar? Poucos vão me responder...

É possível ensinar uma forma de viver e não acreditar nela?

Ora, se o que leio e escrevo não deveria servir mais aos outros do que a mim mesma, então os escritores correm o risco de serem pouco lidos, porque todos os leitores devem formular suas ideias. E porque me dá satisfação perguntar tanto?

Talvez, quem escreva, queira, ainda que não transpareça, dar um pouco de estímulo a sua própria existência.

E se o que escrevo não serve a mais ninguém, senão a mim mesma?

sábado, 24 de outubro de 2009

Ensaio sobre a dúvida


Agora, quando duvido do sentido da vida, sou confrontada diretamente por duas pessoas, as quais não conseguem ignorar que foi a elas que eu dei a vida e que, de alguma forma, não se eximem de me exigir uma justificativa.

- Ora, onde está a verdade? Com quem está a melhor razão? No que devemos acreditar?

Todos os dias, insistentemente, recebo ondas de dúvida e de certeza sobre o que é viver.

As certezas me são dadas:

- quando as palavras saem da minha boca e se harmonizam em pensamentos, que, concatenados, formulam perguntas racionalmente elaboradas, submetendo a vida no mundo ao confronto das suas razões;

- quando eu sinto que, apesar das circunstâncias exigirem um certo desânimo, eu busco um humor que me faz estranhamente alegre;

- quando aceito, de bom grado, que meu trabalho como docente esteja sendo o melhor que posso realizar, apesar da incerteza de estar a contento;

- quando me vejo admirando os seres humanos que conseguiram reunir, num relacionamento, por exemplo, tudo aquilo que pensei que também me seria permitido, e nem por isso estou amargurada a ponto de me tornar autodestrutiva;

- quando me experimento sonhando e nesses sonhos assumindo os papéis que gostaria que a realidade me proporcionasse.

A vida fica sem sentido, ainda que temporariamente ou ciclicamente:

- quando esqueço que, para um bom observador, em se tratando de seres humanos, a lógica é reduzida a uma visita esporádica;

- quando me dou conta que a felicidade não é um sentimento de que necessito quando escrevo;

- quando o sábado à tarde já me apavora e o domingo... nem se fala;

- quando volto a me encolher na posição fetal e o ar some;

- quando meus movimentos paralisam a vontade de estar perto do mundo que vive inconsciente de si.

Agora, depois de escrever palavras que deveriam desenhar minha imagem a partir do interior, estou pensando se valeu a pena o trauma diário da dúvida. Devo recusar duvidar?

terça-feira, 20 de outubro de 2009

A última fronteira humana


A dúvida é minha sinalização mais autêntica. A dúvida perturba, insatisfaz, desconforta. Mas ela também lança uma luz sobre o que parece dado como perdido.

Hoje parei de duvidar. Aceitei que a melhor expressão humana, o amor, é real.
Então ... o amor existe!!! Acontece, pode ser apanhado dos sorrisos escondidos. Pode ser sentido no coração que bate ausente. Pode contaminar os desesperançados com sua convicção.

O amor existe e nunca mais vou me experimentar cética diante das evidências.
O amor me faz mais bonita porque largo da amargura de não ver alguém retornando. O amor me faz sorrir do absurdo, um absurdo, no fundo intuido.
O amor chama " [...] à presença o que não sabíamos que éramos, como se nos ajudasse a parir a eternidade para fora de nós mesmos", como diz Silveira.
O amor remove as entranhas da solidão que não quer ser.

- Fazes-me falta, mas o amor existe! Ainda testemunhei agora mesmo!

O amor é a última fronteira humana. Quem o encontra, está lá... Os que observam, os que reconhecem, não ousam sussurrar. É preciso reverenciar os que vivem seu amor.

Isso tudo me emociona. É possível estar feliz por alguém que ama, ainda que pelo amor que não seja seu.

domingo, 18 de outubro de 2009

O domingo de manhã é de Sêneca - não nos atrasemos!


Domingo... esse dia, que excluiria dos dias da semana até me deparar com a resposta à minha aversão, colocou-me em contato com as "Cartas a Lucílio" de Lúcio Anneo Sêneca, a quem eu há tempos sentia vontade de encontrar. A tradução da obra do latim para o português é de Lúcia Sá Rabello e Ellen I. N. Vranas. "Cartas a Lucílio", que Sêneca (4 a.C. - 65 d. C.) supostamente escrevia a esse jovem, estava numa estante de tabacaria, quando eu a vi, num domingo, à tarde.
Ando meio ressabiada com o ar que respiro e, nessas horas, um filósofo como Sêneca bem pode melhorar a qualidade do oxigênio.
Abro na página onde está a carta "Do Progresso" e observo que o título pouco me revela daquilo que interpreto. Penso que é recorrente o equívoco de ler à nossa própria maneira, mas é que desta vez eu estava precisando me enveredar por esse caminho.
Sêneca alerta Lucílio: "Não tenho medo que te mudem, temo apenas que te atrapalhem". Nesse pensamento vai o cerne daquilo que atormenta a muitos de nós. Somos presas de nossas paixões e pensamos vitimados pelo poder dos outros. Que nos lancem ao infinito e que voltemos arrasados, mas não nos atrasem um minuto a ida. Dito de outra forma, a quem possamos encontrar na vida, que não a deixemos despedaçá-la, porque já não vamos recuperar esse tempo.
Se o dinheiro me fosse fácil, ainda assim não poderia mudar o desejo dos outros. Significa dizer que, no fim de tudo, a única pessoa que poderia se modificar sou eu mesma. Por isso é que Sêneca recomenda ao amigo que, se pudesse escolher um bem a ele, escolheria o domínio de Lucílio sobre ele mesmo.