
Ando pensando mais na morte do que de costume.
Não é a toa: o medo que eu tenho da vida me tem provocado. E, para não assustar a qualquer pessoa que me leia, cito Domingos Oliveira, que me faz sentir menos mal por não estar festejando tanto assim: "Na nossa civilização ocidental, a morte é um palavrão [...]. O dogma de colocar a vida no ponto mais alto da escala de valores humanos é altamente dubitável".
Pois bem... este é o tema central nas observações que venho fazendo das pessoas que me cercam. Ando curiosa por saber a razão porque viver é tão desejável.
Será que não aprendemos (e de forma pouco elástica) a acreditar que sempre a condição de vivos, independente da situação em que nos encontramos, é melhor do que a aceitar as circunstâncias e as motivações para desejar a morte de nossa vida?
Se esta reflexão contivesse tão somente o pensamento que integra o título, seria suficiente para dizer todo o rol de dúvidas que tenho sobre a ilusão da validade de qualquer vida vivida.
Enfim, não creio mais que eu possa recuar. Fui longe demais com minhas perguntas. Poderíamos aprender a ser menos ingênuos da próxima vez.
*Escrito por Domingos Oliveira, em seu texto " A morte e a civilização ocidental", publicado em primeira mão no blog do autor e depois na Revista Bravo, jan. 2009.

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