domingo, 6 de dezembro de 2009

A liberdade está dentro da ovelha


Uma vez o domingo era meu. Foi por pouco tempo. Agora que não sei o que fazer com ele, além de escrever ou ler, faço perguntas.


"[...] de como o romance [...]" (Emma Bovary) "[...] foi lido na época [...]".


Refiro-me à leitura do romance mas poderia estar aludindo a um fato, uma história, um acontecimento trágico, enfim, algo que faz as pessoas, perplexas, comentarem por um certo tempo. Imagino que Emmas Bovarys existam aos montes por aí. O melhor é saber que minha mãe pode ser considerada uma. E foi, para todos os efeitos. Foi, porque ousou ser uma mulher corajosa. Mas foi, também, pouco inteligente por não ter sabido lidar com as confusões da vida moderna. E nisso, somos todas parecidas com Emma Bovary.


Estou um tanto amuada por procurar um sinal que prove que nós, mulheres, somos pensadas por nós mesmas. Os efeitos da realidade reduzem as conquistas e quando estamos quase sentindo algum tipo de avanço nas concepções sobre a nossa condição humana, chegamos à conclusão de que trocamos seis por meia dúzia.


Estou ocupando uma posição unilateral, é bem provável e, os homens, certamente, enfrentam conflitos próprios de sua condição. Sobretudo, a questão não é a sobreposição de um sexo sobre o outro, ao contrário. Estou dizendo que as mulheres não estão conseguindo incluir o homem em suas vidas. As transformações sociais têm impingido sentimentos estranhos ao "ser mulher" e as práticas que testemunho só me dizem que precisamos agradar.


É preciso desenhar um cenário individual. É preciso procurar pelo que viver. Na fala de David Gale, o personagem que está no corredor da morte no filme "A vida de David Gale", ao procurar o que fazer da vida, estamos adiando a morte. Se bem que isso é absolutamente do livre arbítrio de cada um, de cada uma. No meu caso, estou a aprender sobre essa possibilidade ainda, porque tenho o domingo todo para pensar, já que ele me foi devolvido.

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