sábado, 13 de março de 2010

Na dança pela chuva


Viktor Navorski, personagem interpretado por Tom Hanks em "O terminal" só se assemelha a Heinz Müller em um ponto: o fato destes dois homens terem escolhido um aeroporto para morar durante um período de suas vidas.

Viktor Navorski e Heinz Müller tinham motivos diferentes. Os motivos de Navorski podem ser encontrados assistindo ao filme; os motivos de Müller, lendo a reportagem da revista Época, 02 nov. 2009.

Mas por que estou trazendo à tona estes dois personagens?

De Navorski, a determinação de morar em um aeroporto para conseguir um autógrafo; de Müller, mais interessada, o que o levou a morar em Viracopos por duas semanas, uma vez que não se tratou de uma história de ficção.

Heinz Müller, como se sabe, veio ao Brasil para conhecer sua suposta "namorada". Suposta pois tratava-se de uma namorada virtual (internautas sabem que as pessoas da internet nem sempre são feitas de carne e osso). Quando se conheceram, o posto de namorada, nem virtual nem carnal mais cabia. Müller foi rejeitado, é claro, como era de se esperar. Afinal, segundo a história relatada pela revista, tratava-se de um homem perturbado. Convenhamos, a namorada brasileira deve tê-lo imaginado de outra maneira.

Mas... por que precisamos namorar virtualmente se há tantas almas solitárias dando sopa muito perto de nós?

Por que existe a sensação que é de verdade, quando estamos lá a nos "entender", que a virtualidade vai abrir uma nova dimensão em nós seres humanos?

No caso de Müller, o homem real não agradou, principalmente depois que o dinheiro havia acabado e que a sua sanidade fora questionada.

O que me importa analisar é a atitude de Heinz em vir ao Brasil para, enfim, realizar seu sonho: viver seu grande amor com a namorada internauta.

A questão que me move é: o que a virtualidade não comunica e que um olhar é capaz de captar?

Estamos acreditando que ver primeiro é mais importante do que ouvir?

Avançamos crendo que a comunicação global pela internet aboliu nosso sentido mais exigente que é o ver/tocar?

Enquanto pergunto, estou como os índios: danço para ver se vai chover.

Por fim, penso que muitos não precisarão dormir em aeroportos porque a telinha não foi fiel à idealização de um grande amor.