segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Seguindo Schopenhauer, pensando por mim mesma


Eu me dedico ao pensamento com interesse puramente subjetivo. Não tenho pretensões de ajudar alguém com isso, senão a mim mesma, porque viver de cara contra a parede do vazio não é fácil.

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Substituir os livros por outras coisas: o fazer contínuo. Quem nunca para de fazer, nunca se encontra consigo mesmo. E afirmo, o encontro consigo mesmo é muito triste e estranho. Não há genialidade em mim, senão uma estagnação revoltante. A vontade de estar comigo é mínima.

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Quando sabemos que nossos pensamentos são autênticos? Tudo que expressamos, foi, de certa forma, incorporado do exterior. Afirmar que existem pensamentos originais, é saber de onde eles são provenientes.

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Quem lê, procura algo. Às vezes, por si mesmo.

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Da minha janela eu vejo um mundo enquadrado. Assim, ele sempre se apresenta da mesma forma.

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Quando meus pensamentos começam a se repetir, está na hora de ler. Ler para descansar da perseguição de meu próprio pensamento.

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Tenho um grande pudor em admitir de que sou meu grande tema. Para que perder tempo com essa banalidade? Porém, sempre chego ao mesmo pensamento.

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Eu tenho um pensamento. Eu não tenho um corpo.

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O meu pensamento tem um problema insolúvel: o sentido da existência. Desconfio que os bons escritores tenham se afastado de pensar sobre e, para amenizar a recorrente não resposta, escrevem para nos entreter. Saramago, você é um deles!


*Estes pensamentos foram inspirados no texto de Schopenhauer: "Pensar por si mesmo".

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