domingo, 18 de outubro de 2009

O domingo de manhã é de Sêneca - não nos atrasemos!


Domingo... esse dia, que excluiria dos dias da semana até me deparar com a resposta à minha aversão, colocou-me em contato com as "Cartas a Lucílio" de Lúcio Anneo Sêneca, a quem eu há tempos sentia vontade de encontrar. A tradução da obra do latim para o português é de Lúcia Sá Rabello e Ellen I. N. Vranas. "Cartas a Lucílio", que Sêneca (4 a.C. - 65 d. C.) supostamente escrevia a esse jovem, estava numa estante de tabacaria, quando eu a vi, num domingo, à tarde.
Ando meio ressabiada com o ar que respiro e, nessas horas, um filósofo como Sêneca bem pode melhorar a qualidade do oxigênio.
Abro na página onde está a carta "Do Progresso" e observo que o título pouco me revela daquilo que interpreto. Penso que é recorrente o equívoco de ler à nossa própria maneira, mas é que desta vez eu estava precisando me enveredar por esse caminho.
Sêneca alerta Lucílio: "Não tenho medo que te mudem, temo apenas que te atrapalhem". Nesse pensamento vai o cerne daquilo que atormenta a muitos de nós. Somos presas de nossas paixões e pensamos vitimados pelo poder dos outros. Que nos lancem ao infinito e que voltemos arrasados, mas não nos atrasem um minuto a ida. Dito de outra forma, a quem possamos encontrar na vida, que não a deixemos despedaçá-la, porque já não vamos recuperar esse tempo.
Se o dinheiro me fosse fácil, ainda assim não poderia mudar o desejo dos outros. Significa dizer que, no fim de tudo, a única pessoa que poderia se modificar sou eu mesma. Por isso é que Sêneca recomenda ao amigo que, se pudesse escolher um bem a ele, escolheria o domínio de Lucílio sobre ele mesmo.

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