Moro num prédio de poucos apartamentos.
Por isso há uma certa familiaridade nos passos de todos que habitam esse espaço.
Meu vizinho, por exemplo, melhora minha falta de amor ao domingo: ele liga o rádio e seleciona um programa em que fala um locutor e de vez em quando toca uma música.
É claro que é exatamente isto que me transporta de volta a minha adolescência, quando era costume esse gesto no domingo pela manhã.
Passado do meio dia, é inconcebível esta atitude, nessa hora todos os humanos num raio inestimável recolhem-se ao soninho da tarde.
Mas pelo menos tem alguém reproduzindo algo de domingo que me identifica. Eu mesma seria incapaz de fazê-lo.
Por que? Não sei.
Sei apenas que meu vizinho me é familiar quando liga o rádio e eu, no apartamento ao lado, escuto o locutor, as propagandas, as músicas no intermediário do programa e me transporto para um lugar que está muito longe de mim hoje mas que me diz respeito.
Ainda bem que tem alguém para dizer que estou aqui ainda.
domingo, 22 de junho de 2014
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