quinta-feira, 11 de abril de 2019

Inominável dor

Quando o assunto é morte, tudo são apenas suposições.
Mais aprofundadas ainda, as suposições sobre algum tipo de atividade após a nossa morte.

Tenho sentido um grande desconforto ao pensar na minha morte.
Quantas pessoas não poderei mais ver, principalmente aquelas por quem tenho um amor profundo.
Quantas paisagens e situações nunca mais farão parte de mim.

A vida, por essa preocupação, já quase começa a perder o brilho agora, bem antes do estúpido destino a que pertencem os velhos.

Mas nada é assim. São apenas mais ilusões na lista interminável que acumulamos.
Morrer pode ser outra coisa. É outra coisa.

Vida e morte. Dois substantivos femininos. Engraçado, esse detalhe nada muda.
O que muda são "as atividades" que as distinguem. Um corpo em movimento e depois um corpo paralisado.

A inominável dor também é suposta. Ninguém sabe nada sobre a morte.
Talvez isso é que esteja me atrapalhando a vida.

Como sentirei saudades de alguém se estou morta?
Como sentirei falta da minha vida se a morte veio para eu parar de sentir tudo o que sinto?

As preocupações e o medo são infundados. E mesmo que os alimentemos, talvez estejamos apenas  ocupando o pensamento.

Algumas pessoas descobriram o que as amedronta com a aproximação da morte. É a passagem.
A passagem é um aceno que retém ainda um pouco de consciência, acho. O que dói é a consciência. Essa regra serve para todos os momentos da vida.

A morte deve ser como a picada de uma agulha. Você sente quando ela está furando sua carne. Mas quando está sendo retirada, o alívio é imediato.

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