quarta-feira, 12 de outubro de 2011

Sinopse ou leitura densa


Na sala escura, os livros dormem, silenciosos, guardando nas entrelinhas os segredos de quem os escreveu.
As estrelas dormem acesas um sono longínquo e desinteressado, enquanto as páginas grudadas fixam suas frases perdidas na eternidade.
Mesmo que a brisa sopre forte, mesmo que as folhas despenquem, nada perturba o descanso das histórias.
Na noite úmida, as personagens saem das estantes e dançam suas saudades num espaço concedido pelo passado.
Os livros dizem tudo de si mas quem os lerá quando o dia amanhecer?
Quando o sol convidar para sair à rua sem a sombra da escuridão?
Quem vai parar para tocar suas texturas?
Quem quererá se ficar um pouco mais?
Quem passará da sinopse e lerá suas histórias mais densas?
Não importa: haverá leitores diversos.
Aos que param nas sinopses bastará reconhecer.
Os que penetrarem nas profundezas sempre levarão um pouco dos livros consigo.




Não sei se desconhecer é antagônico à pouca profundidade.
Falas soltas, sorrisos fáceis, pensamentos leves...
Assim tem de ser?
* M. U.

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