domingo, 27 de junho de 2010

O carro da minha vida

Não tenho exatamente paixão por carros. Vejo-os como uma comodidade a qual eu aprendi depender. Não presto atenção à marca e nem a quantos quilômetros ele pode disparar em oito segundos. Tenho apenas uma exigência para com carros: não me deixem na rua!
Nesse item tenho sido atendida. Porém, ando me sentindo confusa sempre que guio meu carro. Meu carro e minha vida. O carro da minha vida. Como guiar um carro pode ser similar a guiar a própria vida?
Quando estou no trânsito, há sempre o medo de fazer algo que cause dano ao meu veículo e ao veículo alheio. Por vezes cometo atos impensáveis ao bom senso. E depois fico me culpando e tendo aquela sensação de que por um fio não me envolvi em um acidente por pura imprudência.
Quando estamos nos movimentando nas ruas, em nossos carros, sabemos que uma manobra indevida vai ter resultados desastrosos e imediatos. Mas em nosso dia-a-dia as manobras equivocadas nem sempre são sentidas com imediata consequência.
Passei a vida fazendo trapalhadas nos carros que dirigi mas nunca me pareceu tão óbvio que era também assim que eu vivia. Essa sensação é constante.
De qualquer modo, tento dirigir melhor meus atos ainda que ao dirigir um carro, sempre de novo me invade a sensação de incapacidade e de perigo iminente.

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