QUERO SER OTÁRIA
Tenho, desde alguns anos, depois de acompanhar a primeira palestra na TV Cultura, em Maria Rita Kehl uma confiança, como psicanalista, que deposito em poucos profissionais da área.
Assisti hoje uma de suas falas sobre "Psicanálise e drogas" e fiquei sabendo que sou uma otária. Otária, porque, reiteradamente, encontro motivos para sofrer e não ser feliz.
Paradoxalmente, enquanto escutava Kehl falar, experimentava uma intensa felicidade. A felicidade dos otários. Daqueles que querem sofrer pelo seu desejo, pelo sentido de suas vidas. E isso me pareceu prenhe de significado e inspiração.
Examinando minha vida, garanto que fui otária em toda a sua extensão até aqui.
Examinando minha vida, garanto que fui otária em toda a sua extensão até aqui.
Bem no princípio de minha adolescência, quando os momentos de angústia me levaram a escrever as primeiras impressões sobre a dor de viver, eu fiz uma escolha. Essa escolha me sustenta e me faz supor que a subjetividade é o conteúdo mais importante que devemos investigar em nós.
A despeito do imperativo atual de que só é feliz quem é predador, alerto que a falta faz bem.

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