Yalom (2008), gentilmente, esclarece-me algo que ele deduziu em sua atuação profissional como terapeuta. Classificou as pessoas, quanto às formas de dar sentido às suas vidas, em quatro grupos: as que são instigadas pela vida por uma visão de triunfo vingativo; as imersas no desespero e por isso sonham com a paz, o desapego e o libertar-se da dor; as que dedicam a vida ao sucesso, ao poder ou à verdade; as que buscam a autotranscendência e daí mergulham numa causa ou em outro ser; as que encontram sentido numa vida de prestação de serviços, no pleno desenvolvimento pessoal ou na expressão criativa.
Demorei e não encontrei meu grupo. Nem bem sei se estou convencida da minha leitura. Suponho que em parte sim e foi lá no quarto grupo que me visualizei. Entretanto, não por ver minha conduta e minhas atitudes assemelhadas com a descrição de Yalom. Outrossim, pelo que Yalom escreve no parágrafo seguinte: "Precisamos da arte, disse Nietzsche, para que a verdade não nos destrua".
E daí?
Qual o meu contato com a arte?
Quais habilidades tenho no manejo de um instrumento musical ou no eco na minha voz?
Que técnicas e qual erudição adquiri sobre as artes visuais?
Em que peça de teatro ou filme atuei que me consagrou?
Enfim, o que eu faço em meu viver que lembra a arte? Arte no seu sentido mais estético, puro, rico de expressão subjetiva da humanidade...
Talvez minha vida seja um desejo mais que uma arte sempre que me angustio e me resolvo pela escrita. Contraditória também. Sem arte e desconhecendo a verdade.
Descubro a inventar-me mais um grupo: os enganáveis.

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