Clarice Lispector quando se dedicou a escrever sobre a realidade foi feliz ao não encerrá-la em uma só definição. Aliás, por definição, ela afirmou que escreveria sobre a realidade fosse ela qual fosse, ou, talvez, fosse ela o reflexo de sua própria subjetividade.
Deixar se convencer da incansável busca pela experiência fundante ou derradeira é, porém, uma parte da trajetória de quem aprende experimentando. Essa lição, que também é incorporada numa das vezes em que o punhado de terra é recolhido, corre o mesmo risco que encerrar a realidade em uma única versão. Quer dizer, um grandessíssimo dispêndio de vida e energia. Que a realidade valha à pena pelo menos! Já sabemos: às vezes deve ser banida pelo esquecimento,
Não quero muito. Quero apenas forças para não recolocar meu aprender à frente de qualquer outra sensação, senão à capacidade de me "assombrar", como quer Merleau Ponty, coisa tão difícil quanto construir sentido para o viver.
* De Contreras e Pérez, 2010, p. 21.

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