segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Cansada...

Escrevo para reclamar de mim para mim mesma.
Estou tão cansada do mesmo caminho que venho percorrendo. Sempre sentindo a velha e boa decepção quando não consigo mudar aquilo que me perturba. E vem perturbando há tantos anos!

Não me dou conta facilmente de quem sou. Não me conheço o suficiente mas experimento-me tão igual sempre. Os mesmos motivos, os mesmos sofrimentos, os mesmos pensamentos derrotistas, as mesmas decepções para com minhas parcas transformações.

Eu, por mim, não valho à pena. Não me referenciaria a ninguém como pessoa. Quem ia querer minha angústia, minha baixa autoestima, minha incredulidade e desconfiança na vida? Quem quereria sentir meu tédio e falta de sentido de viver?

Não entendo como um dia poderia acordar de outro jeito. Sentir do avesso, amar encorajadamente sem retorno, andar sem temores pelas ruas da cidade, seguir meus gostos e vontades sem censura. Como é não ser mais eu mesma? Como é ousar mudar?

Pode ser que minha vida tenha feito seu sentido nessa forma de ver minha própria vida. Mas até onde posso ir sem me desintegrar? Até onde posso chegar sem me desfazer de mim mesma? Por que conservar essa desprezível segurança que se mostra em forma de algemas?

"Não sei para onde vou", dizia o poema que declamei aos treze anos, "só sei que não vou por aqui". Quem dera ter podido seguir esse verso. Não há simplesmente motivo para não ter seguido. A vida é sempre vivida de um jeito ou de outro e minha vida vive-se nesse texto que chora o que não pode mudar.

Meus pais já não me dizem como viver, a sociedade pouco se importa como vivo, os conhecidos nem ficam sabendo algo sobre minha pessoa... o que é então que me amarra se sei que meu corpo envelhece a cada dia, se descalcificam meus ossos a cada minuto vivido, se deteriora minha mobilidade física. Por que eu não me levanto e começo um novo caminhar?

As velhas crenças e as constantes orientações da infância são como grandes pérolas legítimas. Tudo o mais fica pequeno diante do poder que delas emana. As pérolas inexistem se eu as ignorar. Estou a procurar esse caminho que as destitui e coloca minhas pedras comuns no lugar.

Talvez haja quem lamente por mim e até queira me animar com soluções que deram certo com outras vidas. Na verdade, não quero soluções nem paliativos. Não quero festas, eventos, trabalho. Não quero distrações que me afastem desse sentimento puro de covardia. Não quero fogos, drogas lícitas ou ilícitas nem comemorações mundanas.

Quero conhecer a alegria e a paz genuínos. Aquilo que não custa nada, que não exige algo em troca. Quero a meditação sobre o desapego à vida e àquilo que nos distrai do precipício. Quero a dor como ela é e o prazer como ele pode me parecer. Quero a gratuidade da verdade sobre o humano.

Não sou uma árvore, que pena! Sou da espécie exigente que pensa e elabora sua existência. Acho que conviverei com esse pensar até o último suspiro. Nesta humana condição, às vezes a dor dói menos e eu vou sorrir de novo.

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