domingo, 18 de setembro de 2016

Descontente com a realidade


Uma irritante sensação de irritação de novo me invadiu nesse anoitecer de domingo.
Como se me faltasse algo de difícil detecção.
Um doce que não adoçava suficiente o amargo da língua travada pelo indizível.
Um tempo que não conseguia se explicar por sua duração infinita.

Estou descontente com a realidade. É. É isso que está sendo dito pelo domingo.

No fundo não é nada disso. É muito mais libertador. É uma descoberta fantástica que de descontente
me causou um profundo alento. Pois que achava estava fora, está aqui e sempre esteve: o ser amado não existe. Não existe. Não existe ser. Nem amado. Amado ser. Ser amado. Existir, ser. Não e não.

Não aceito essa realidade e escrevo isso. Não aceito e protesto. Grito através dessas palavras. Tudo é um motivo para desfazer o que se impõe. A realidade é horrível. Produz-me choro e desconsolo. Faz-me sentir pequena e desmedida. Pensa que sou intransigente. Que procuro o impossível.

O ser amado não existe. Ele nunca quis ser. Ele não quer existir. Não quer ser criado. Quer ser invisível. O ser amado não pode viver.

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