terça-feira, 1 de maio de 2012
Noite sem escuridão
Essa noite foi diferente
Diferente em sensações
Só uma coisa não muda
Essa vontade de dizer
Essa vontade de escrever
Não dizer a ninguém
Não olhar nos olhos e me perder
Não ouvir a respiração
E o suspiro da dor
Escrever é um ato de minhas vísceras
Como sempre ter sede de novo
E sempre recorrer a mesma fonte
Procurando as palavras para me embebedar
Passa o tempo e tudo muda
Embranquece o cabelo
A pele arrefece sua elasticidade
Cai a neve, vem o sol
A vontade de escrever sempre é a mesma
Tantas noites
Tantas sensações
Nunca puderam ser caladas
A fonte jorra toda vez
Que a tristeza chora
Eu não quero mudar
Minha escrita é fruto de meus dedos
Que agem assim no papel
Apesar das curvas deste rio
Seus obstáculos me param
Essa noite
Ao entrar no quarto
Diante da angústia da hora
Escrevo e adormeço
Amanhã escreverei
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