quarta-feira, 20 de abril de 2016

As minhas versões

Sou o dia de hoje.
Meu quarto interior. Minha casa interior. Meus objetos íntimos.

Farrapos de vida esquecida. Pedaços de caminhos resistentes.

Respiro o ar e meus pulmões só tem a mim para pedir.

Eu sou a vida que tenho. Eu sou meus desejos. Eu sou minhas respostas.

Eu sou a outra e eu mesma. Eu sou a criança e o adulto em mim.

Eu sou meu riso e meu choro. Meu desamparo e carinho. O colo perdido e a saudade achada.

Eu sou meu bem e meu inferno. Eu sou a marca e os desapegos.

Sou a que me protege e acolhe e também a que se perde e desanima.
Sou o que restou das tentativas dos meus pais e os seus maiores temores.
Eu sou forte e de luz apagada também.

Meu pensamento só vai até a porta. Da porta em diante deixei a chave cair.
Sou feita de asas e pés descalços. De sangue e calor é nutrido meu corpo.
Sou filha do sol e da noite.

Meus olhos se fecham e abrem esquecidos de si.
Sou a dor e o consolo de minha criança desamparada.
Sou feliz e descontente sem o doce viver do inconsciente.

Amada e desalmada, perdida e totalmente certa de si.
Sou a relva fresca e a brisa morna que nada pede.
Sou a coisa mais importante que tenho.

Com os remendos ou a roupa nova, sou ainda sempre eu mesma.
Não nego nem concordo. Ando meio longe e volto rápido.
A vida me convida a fechar um pouco os olhos e sorrir de vazia que ela é.

E tudo pode ser feliz quando eu quiser.
Quando eu quiser...

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