Ando na rua...Olho para o chão querendo encontrar um caminho.
Qualquer caminho que preencha o vazio que deixou esse dia,
na infinita sensação de inacabamento e de incerteza de quem sou.
Continuo a caminhar...
Desvio para um outro caminho e sigo devagar não querendo chegar.
Sem saber o que pensar, sinto cada passo a me levar ao vazio
que esse dia teve o talento de imprimir.
Os pensamentos não explicam como essa confusão ficou aqui a revolver-se.
Passam-se as horas, o pesadelo perde efeito.
Afrouxam-se as amarras e uma brisa começa a soprar.
Leva a nuvem para outro lugar e aqui começa a chover devagar.
Uma força gigantesca sufoca minha liberdade...
Ouço vozes a me repreender: - você não deve falar!
Encolho-me quieta e não sei chorar.
Reprimo essa emoção para poder ouvir o que o mundo tem a me dizer.
Durmo e quem sabe a dor se dissipará: um grito e um sonho, à noite.
Mas depois tudo está lá, diferente e igual dantes.
Vou encenar dúvidas e perguntas
Para continuar a levar a vida em mim.

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